Urbisaglia: cidade romana na Itália revela ainda segredos após 32 anos de escavações


Em uma época marcada pela velocidade, pela tecnologia e pelas descobertas instantâneas, uma história que vem do interior da Itália chama atenção justamente pela paciência. Há 32 anos, uma equipe da Universidade de Macerata retorna todos os verões ao mesmo local arqueológico para escavar, camada após camada, o passado de uma antiga cidade romana. E, três décadas depois, as surpresas continuam aparecendo.

O cenário é Urbs Salvia, atual Urbisaglia, uma pequena localidade da região das Marcas, no centro da Itália. Considerada um dos sítios arqueológicos romanos mais bem preservados do país, a área se transformou em um verdadeiro laboratório a céu aberto para estudantes e pesquisadores.

A campanha de escavações de 2026 reuniu mais de 50 alunos de universidades italianas e estrangeiras, dando continuidade a um dos mais antigos projetos universitários de arqueologia ainda em atividade na Itália. O trabalho não se limita à pesquisa científica: para muitos jovens, trata-se da primeira experiência prática em campo, em contato direto com vestígios que atravessaram mais de dois mil anos de história.

E é justamente essa continuidade que torna o caso singular. Depois de três décadas de investigações, os arqueólogos ainda encontram novas peças do quebra-cabeça. Neste ano, os estudos avançaram sobre uma área situada ao norte do antigo fórum romano, onde estão surgindo evidências de um assentamento ainda mais antigo, anterior à fundação oficial da cidade durante a República Romana.

Entre os achados mais recentes estão estruturas construídas com tijolos de barro cru, associadas às primeiras ocupações humanas da região, além de novos elementos ligados a uma oficina de metalurgia que funcionava antes da consolidação do núcleo urbano romano.

As pesquisas também prosseguem em Villamagna, uma grande vila romana localizada na Reserva Natural da Abbadia di Fiastra. Ali, os arqueólogos concentram esforços em um antigo complexo termal, onde continuam aparecendo fragmentos de mosaicos e pinturas murais que decoravam os ambientes de representação da residência.

O caso de Urbs Salvia ajuda a mostrar como a arqueologia moderna não vive apenas de descobertas espetaculares. Muitas vezes, ela é construída por meio de décadas de trabalho contínuo, cruzamento de dados e escavações meticulosas. Cada pedra, cada fragmento de cerâmica e cada mosaico encontrado contribuem para reconstruir a vida cotidiana de uma cidade que, há dois mil anos, fazia parte do vasto mundo romano.

Hoje, enquanto milhões de turistas visitam monumentos famosos como o Coliseu ou Pompeia, lugares menos conhecidos como Urbs Salvia lembram que grande parte da história da Itália ainda permanece escondida sob a terra, aguardando pacientemente para ser redescoberta.

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