Na Itália, há lugares em que a viagem ao litoral pode ganhar um significado diferente. Em vez de escolher entre praia, natureza e cultura, é possível entrar em jardins históricos onde o Mediterrâneo aparece como parte da própria paisagem. São antigos parques aristocráticos, jardins botânicos e propriedades transformadas ao longo dos séculos, muitas vezes construídos em encostas, sobre rochas ou junto a antigas vilas.
O Corriere della Sera destaca alguns desses lugares, que atravessam diferentes regiões italianas e mostram uma relação particular entre arquitetura, botânica e território. São espaços onde a visita não se resume às plantas: há histórias de famílias, artistas, aristocratas e paisagistas que ajudaram a construir uma ideia muito italiana de jardim.
La Mortella, a paixão de um casal em Ischia
Na ilha de Ischia, no golfo de Nápoles, La Mortella nasceu de uma história pessoal. Em 1956, Lady Susan Walton convenceu o marido, o compositor britânico William Walton, a transformar um terreno rochoso em Forio em um jardim. O projeto foi desenvolvido pelo paisagista inglês Russell Page e, com o tempo, tornou-se uma das mais importantes coleções botânicas da Itália.
O jardim se divide entre uma área inferior, mais úmida e sombreada, e uma parte superior organizada em terraços. Entre as espécies estão enormes vitórias-régias amazônicas, samambaias arbóreas, ginkgo biloba e plantas raras provenientes de diferentes partes do mundo.
Villa della Pergola e o Mediterrâneo visto de Alassio
Na Riviera da Ligúria, os Jardins de Villa della Pergola, em Alassio, ocupam cerca de 22 mil metros quadrados de terraços que descem em direção ao mar. A propriedade, construída no final do século XIX, escapou da especulação imobiliária em 2006 e passou por um longo processo de recuperação.
Hoje, o jardim é particularmente conhecido pela coleção de agapantos, considerada a maior da Europa, com mais de 500 espécies, e pela coleção de glicínias, que reúne 34 variedades. O espaço recebeu em 2022 o prêmio de parque mais bonito da Itália.
Um antigo jardim monástico diante do mar
Perto de Portofino está La Cervara, antiga Abadia de San Girolamo al Monte di Portofino, fundada por monges beneditinos em 1361. O antigo jardim do mosteiro tornou-se o único jardim italiano formal da Ligúria diretamente voltado para o mar.
Entre sebes de buxo cuidadosamente podadas, fontes de mármore e espécies mediterrâneas aparecem buganvílias, cítricos, strelitzias e uma glicínia centenária. O lugar conserva, assim, a memória religiosa de suas origens, mas também a tradição paisagística da Riviera.
Ravello e a famosa Terraza do Infinito
Na Costa Amalfitana, Villa Cimbrone, em Ravello, ocupa um promontório com vista para o golfo de Salerno. Suas origens remontam ao século IX, mas a configuração atual está ligada principalmente ao inglês Ernest William Beckett, que adquiriu a propriedade em 1904 e a transformou segundo o gosto dos jardins românticos ingleses.
O parque, com cerca de sete hectares, combina elementos medievais e clássicos com a vegetação mediterrânea. O ponto mais famoso é a Terrazza dell’Infinito, onde bustos de mármore parecem suspensos sobre o mar. O jardim também guarda antigas roseiras, hortênsias, íris e bosques de medronheiros.
Um jardim dentro de uma antiga pedreira
Em Favignana, nas ilhas Egadi, a história é ainda mais improvável. O Giardino dell’Impossibile nasceu em uma antiga pedreira de calcarenita, terreno aparentemente hostil para qualquer jardim. A partir dos anos 1960, Maria Gabriella Campo começou a plantar árvores e flores no local.
O resultado ocupa quatro hectares e inclui as próprias cavidades subterrâneas das antigas pedreiras. Quase 500 espécies botânicas provenientes de diferentes continentes convivem entre paredes de pedra, áreas de sombra e pequenos espaços de umidade.
Na região de Gênova, Villa Durazzo Pallavicini acrescenta outra dimensão a esse roteiro. O parque de Pegli foi concebido no século XIX como um grande jardim romântico e conserva um importante patrimônio botânico, incluindo um histórico caminho de camélias com cerca de 150 exemplares.
E, em Ischia, o Parco Idrotermale del Negombo reúne em nove hectares jardins, fontes termais, obras de arte e espécies originárias de lugares tão distantes quanto Austrália, Japão, África do Sul e Brasil.
Mais do que alternativas ao turismo de praia, esses jardins contam uma parte menos conhecida da história italiana: a de um país onde paisagem, arte, arquitetura e botânica foram muitas vezes pensadas juntas. Em muitos deles, o mar não é apenas o cenário ao fundo. É o elemento que completa a experiência.
Sete jardins italianos onde o mar também faz parte da paisagem







