Seca ameaça safra de trufas brancas na Itália, com queda de 30% em outubro

Segundo estimativas do Observatório independente Tartufo Abruzzo Network, a menor oferta também aumenta o risco de especulação e de irregularidades no comércio. O alerta foi divulgado pelo portal Notizie d’Abruzzo, que destaca a preocupação com os efeitos do estresse climático sobre toda a cadeia produtiva.
A trufa branca, conhecida cientificamente como Tuber magnatum Pico, é uma das iguarias mais apreciadas da cozinha italiana. De aroma intenso e sabor característico, costuma ser servida fresca, em finas lâminas sobre pratos como massas, risotos e ovos, sem preparações que escondam suas propriedades. Sua disponibilidade sazonal e a dificuldade de encontrá-la ajudam a explicar seu alto valor gastronômico e comercial.
Diante da perspectiva de uma safra menor, o Tartufo Abruzzo Network propõe abrir uma mesa de diálogo com a Região de Abruzzo, a Câmara de Comércio de Chieti-Pescara e as associações de coletores. Entre as medidas sugeridas está o reforço da rastreabilidade, com mecanismos para diferenciar a coleta destinada à venda daquela voltada ao consumo próprio ou a atividades amadoras.
A organização também propõe estudar a criação de uma “Bolsa da Trufa” junto à Câmara de Comércio de Chieti-Pescara, com uma lista oficial de preços para tornar as negociações mais transparentes e ajudar a combater eventuais distorções do mercado.
Outra iniciativa seria organizar feiras dedicadas ao produto em dezembro, inclusive na marina turística de Pescara. A proposta busca valorizar a trufa durante o período de maior maturação e atrair visitantes interessados na gastronomia regional durante as festas de fim de ano.
A temporada começa, assim, com um desafio que vai além da quantidade disponível. Para um produto ligado à identidade culinária italiana e à economia local, preservar a qualidade, garantir a transparência da comercialização e enfrentar os efeitos da seca serão pontos centrais para o futuro da cadeia produtiva.
