Retrato de 1.800 anos é restaurado e será exibido em mostra em Roma

A mostra ficará em cartaz até 2 de maio de 2027 e reunirá mais de 110 peças da Antiguidade, incluindo retratos pintados, máscaras funerárias, esculturas em mármore, joias e outros objetos. Entre elas estarão quase 50 retratos do Fayum, um conjunto excepcional de pinturas funerárias que preservam rostos de pessoas que viveram no Egito sob domínio romano.
O Tondo dos Dois Irmãos foi produzido em meados do século II d.C. e encontrado em Antinoópolis, no Egito central. Pintado sobre madeira com a técnica da encáustica — que mistura pigmentos e cera —, mostra dois jovens lado a lado, tradicionalmente identificados como irmãos. Apesar da semelhança entre eles, o artista diferenciou cuidadosamente os rostos, os tons de pele e as roupas. Os detalhes de luz nos olhos e as sombras dão às figuras uma aparência surpreendentemente viva.
A restauração foi realizada no próprio Museu Egípcio do Cairo por especialistas italianos da cooperativa Fabrica Conservazione e Restauro, em colaboração com profissionais egípcios. O trabalho era necessário porque a madeira havia sido danificada por insetos, que abriram galerias no suporte e deixaram partes da pintura sem sustentação. Em alguns pontos, até uma pequena pressão poderia provocar a perda da camada pintada.
Os restauradores estabilizaram as áreas mais frágeis e recuperaram detalhes dos rostos e das vestimentas, tornando a obra mais legível sem apagar as marcas de sua longa história. O projeto também permitiu a troca de conhecimentos entre as equipes dos dois países.
Os retratos do Fayum são considerados testemunhos importantes do encontro entre tradições egípcias, gregas e romanas. Produzidas principalmente para acompanhar os mortos em seus funerais, essas pinturas mostram pessoas com traços individualizados, penteados e roupas da época. Diferentemente de muitas imagens idealizadas da Antiguidade, os rostos parecem observar diretamente quem está diante deles.
Na exposição de Roma, o Tondo será apresentado ao lado de outras obras que ajudam a entender como o retrato era usado para preservar a memória e representar a identidade das pessoas no mundo antigo. A reunião de peças provenientes de diferentes coleções internacionais oferece ao público a oportunidade de conhecer uma tradição artística que atravessou culturas e séculos.
Quase dois mil anos depois de sua criação, a obra continua cumprindo uma função essencial: aproximar o visitante de pessoas que viveram em outro tempo. A restauração não apenas protege uma pintura rara, mas devolve visibilidade a dois rostos que sobreviveram à passagem dos séculos.
