A Itália quer continuar a transformar laços familiares em turismo e desenvolvimento econômico. Em meio ao crescimento global das viagens ligadas à ancestralidade, o governo italiano anunciou uma nova etapa do programa “Turismo delle Radici”, iniciativa voltada a aproximar descendentes italianos espalhados pelo mundo das cidades de origem de suas famílias.
Nesta semana, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, participa em Roma da assinatura de acordos para financiar projetos ligados ao turismo das raízes, com recursos de 200 milhões de euros do Fundo de Desenvolvimento e Coesão italiano. Os investimentos serão direcionados principalmente ao Centro-Sul da Itália e incluem revitalização de pequenos borgos históricos, recuperação urbana, ciclovias, turismo sustentável, infraestrutura ferroviária e valorização ambiental.
Entre os projetos anunciados estão a regeneração da área do Porto Canale de Fiumicino, próximo a Roma, investimentos em áreas naturais nos montes Ausoni e nos lagos de Fondi e Canterno, além da transformação da antiga linha ferroviária entre Avellino e Rocchetta Sant’Antonio em uma ferrovia turística voltada ao cicloturismo e à mobilidade sustentável.
A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla criada pela Farnesina após a pandemia para fortalecer a conexão entre a Itália e cerca de 80 milhões de italianos, ítalo-descendentes e oriundi que vivem fora do país.
Para o Brasil, onde vive uma das maiores comunidades de descendentes italianos do mundo, o projeto possui um peso especialmente simbólico. Em vez de incentivar apenas o turismo tradicional nas grandes cidades, a proposta busca levar visitantes também aos pequenos municípios de onde partiram milhões de emigrantes italianos entre os séculos XIX e XX.
A ideia é estimular um turismo mais afetivo e pessoal. Muitos descendentes viajam hoje à Itália não apenas para conhecer monumentos famosos, mas para encontrar a cidade dos avós, descobrir registros familiares, visitar igrejas antigas e reconstruir parte da própria história.
Ao mesmo tempo, o governo italiano tenta usar esse movimento para revitalizar regiões menos exploradas pelo turismo internacional. Enquanto destinos como Roma, Veneza e Florença enfrentam problemas de superlotação, centenas de pequenas cidades italianas convivem há décadas com despovoamento e envelhecimento populacional.
O turismo das raízes surge justamente como uma forma de redistribuir fluxo turístico e criar novas oportunidades econômicas fora dos roteiros clássicos.
Nos últimos anos, a busca por viagens ligadas à ancestralidade cresceu em várias partes do mundo. Plataformas de genealogia, testes de DNA e redes sociais ajudaram a despertar o interesse por histórias familiares e origens culturais. Na Itália, onde identidade local, sobrenome, culinária e território estão profundamente conectados, essa tendência ganhou força rapidamente.
Para muitos brasileiros, a experiência acaba se tornando também uma redescoberta da própria identidade. Em várias regiões italianas, especialmente no sul do país, ainda existem dialetos, tradições e festas populares preservadas por gerações, criando uma sensação de continuidade histórica que emociona muitos descendentes durante a viagem.
Com os novos investimentos, a Itália tenta transformar essa ligação emocional em um modelo de turismo mais sustentável, distribuído e conectado aos pequenos territórios que durante muito tempo ficaram fora do mapa turístico internacional.
Itália investe milhões no Turismo da raizes para atrair descendentes ao interior do país

