Em 1618, em apenas quatro meses, foi construído em Parma um teatro de madeira que ainda hoje é o maior do mundo em sua categoria.
Pois é, você entendeu corretamente: ele possui o Guinness World Record e é feito quase inteiramente de abeto vermelho, uma madeira nobre.
Estamos por volta de 1618. Ranuccio I Farnese, duque da cidade de Parma, havia recebido notícias sobre a possível passagem do Grão-Duque da Toscana, Cosimo II de’ Medici, por sua cidade. Queria impressioná-lo e teve a ideia de construir um teatro grandioso.
Chamou o arquiteto e engenheiro civil Giovanni Battista Aleotti e falou sobre seu projeto. Em apenas quatro meses, Aleotti construiu o teatro.
Para acelerar a obra, decidiu-se utilizar madeira como material principal: abeto vermelho vindo do Friuli. Foram criadas galerias sobrepostas que imitavam pedra, e os estuques foram pintados para parecer mármore.
4.800 metros quadrados de área, 3.000 espectadores distribuídos em 14 arquibancadas. Para fazer uma comparação com outro famoso teatro italiano, ele era o dobro do tamanho da Scala de Milão. O palco possui uma profundidade superior a 40 metros, muito maior do que a de muitos teatros construídos posteriormente em concreto.
Foi aí que aconteceu a reviravolta: a passagem e a visita de Cosimo II nunca aconteceram.
A inauguração do teatro, já concluído em 1619, ocorreu apenas em 1628. O grande espaço cênico finalmente abriu suas portas durante o casamento entre Margherita de’ Medici e o duque Odoardo Farnese. Para celebrar o evento, foi organizado um espetáculo extraordinário, “Mercurio e Marte”, com texto de Claudio Achillini e músicas de Claudio Monteverdi, pensado como uma demonstração de prestígio político, artístico e tecnológico da corte farnesiana.
O momento mais impressionante da apresentação foi a naumaquia final: a plateia foi artificialmente inundada graças a um sofisticado sistema hidráulico escondido sob o palco, capaz de despejar enormes quantidades de água dentro do teatro.
Por trás de toda aquela magnificência, porém, escondiam-se custos elevadíssimos e uma gestão extremamente complexa. Os cenários móveis, as máquinas teatrais e os efeitos especiais exigiam recursos enormes, transformando cada espetáculo em um empreendimento excepcional.
Por esse motivo, o teatro foi utilizado raramente nas décadas seguintes, aparecendo apenas em ocasiões de celebrações dinásticas ou visitas ilustres ligadas à corte dos Farnese. Entre 1652 e 1732, recebeu apenas poucas apresentações oficiais.
Não por acaso, em 1689, Ranuccio II decidiu construir um teatro menor e mais prático nos ambientes adjacentes ao grande salão, confiando o projeto ao arquiteto bolonhês Stefano Lolli.
Infelizmente, durante a Segunda Guerra Mundial, o Teatro Farnese foi bombardeado e destruído.
Mas aquilo não foi o fim, e sim um novo começo.
Decidiu-se reconstruí-lo. Entre 1956 e 1965, peça por peça, o teatro voltou a ganhar vida de forma fiel ao original. Foram utilizados os projetos originais do arquiteto Aleotti e escolheu-se empregar o mesmo material: o abeto vermelho. Essa decisão foi tomada para não alterar a acústica do teatro.
O Teatro Farnese foi então reaberto ao público e continua funcionando até hoje.
Pense nisso: este teatro foi construído em apenas quatro meses, às pressas, para impressionar o Grão-Duque da Toscana, e conseguiu sobreviver até os dias atuais. É uma história que deveria nos fazer refletir sobre como, naquela época, apesar das enormes limitações técnicas em comparação com hoje, ainda se priorizava a qualidade e a durabilidade ao longo do tempo.
Como mencionado anteriormente, o Guinness World Record certifica o Teatro Farnese como o maior teatro coberto de madeira do mundo.
Único. Visitável. Ainda em funcionamento.
O Teatro Farnese está localizado dentro do Palazzo della Pilotta, também conhecido como Complexo della Pilotta.
Mais uma joia de valor inestimável guardada no território italiano.
Informações
Palazzo della Pilotta
Piazza della Pilotta, 5
43121 Parma (PR)
Como chegar
Ônibus
Linhas n.º 1, 6, 7, 8, 9, 11, 12, 13, 14, 19, 23
Para mais informações: TEP Parma
Carro
Pela Autoestrada A1 Milão-Bolonha, saída Parma Centro, seguindo as indicações para o centro de Parma – estacionamento Toschi.
Estacionamento subterrâneo pago ao lado do Palazzo.
Ônibus de turismo
Parada temporária para desembarque de passageiros na cobertura de ônibus da Viale Toschi e transferência para os estacionamentos periféricos da cidade.
A pé da estação ferroviária
Da estação ferroviária, siga pela Viale Toschi ou pela Via Verdi, sempre em frente. Aproximadamente 10 minutos de caminhada.


