Brasil aprova fusão entre a italiana Saipem e Subsea 7 e impulsiona gigante global de energia

A decisão elimina um dos principais obstáculos regulatórios da operação e fortalece o cronograma para a criação da futura Saipem7, grupo que deverá reunir cerca de 21 bilhões de euros em receitas anuais, mais de 2 bilhões de euros de Ebitda e uma carteira de contratos estimada em 43 bilhões de euros. A conclusão da fusão continua prevista para novembro de 2026, dependendo agora principalmente da análise da Comissão Europeia.
O aval brasileiro era aguardado com atenção porque o país ocupa uma posição estratégica no mercado offshore mundial. O pré-sal brasileiro concentra alguns dos maiores projetos de exploração em águas ultraprofundas do planeta, justamente uma das áreas de maior especialização das duas empresas. Nos últimos meses, Petrobras, associações do setor e concorrentes haviam manifestado preocupações sobre uma possível concentração do mercado de embarcações e serviços submarinos, especialmente para projetos conhecidos pela sigla SURF, que envolvem um complexo sistema de dutos, risers e equipamentos instalados no fundo do mar.
Ao aprovar a operação sem exigir medidas corretivas, o Cade sinalizou que não identificou riscos concorrenciais suficientes para impedir a união dos dois grupos. Para analistas do mercado, a decisão reduz significativamente as incertezas que cercavam a operação e preserva as sinergias esperadas, estimadas em cerca de 300 milhões de euros por ano.
A notícia reforça também a importância do Brasil dentro da estratégia global da futura companhia. A presença das duas empresas no país é histórica e está ligada ao desenvolvimento do setor offshore brasileiro, um dos mais sofisticados do mundo. Nos últimos anos, o Brasil consolidou-se como um dos principais polos de investimentos internacionais em exploração de petróleo em águas profundas, atraindo grandes fornecedores de tecnologia e engenharia.
Enquanto avança no processo de fusão, a Saipem também vem reorganizando seu portfólio. Recentemente, a empresa anunciou a venda de suas operações de perfuração em águas rasas na Arábia Saudita por 285 milhões de dólares, concentrando sua estratégia em segmentos considerados mais rentáveis, como perfuração em águas profundas e operações em ambientes extremos.
Ao mesmo tempo, a companhia continua expandindo sua atuação internacional. No início de junho, conquistou um contrato de aproximadamente 900 milhões de euros na Arábia Saudita para o projeto Uthmaniyah Gas Compression Plant, reforçando sua posição em um dos mercados energéticos mais importantes do mundo.
Depois do sinal verde brasileiro, as atenções agora se voltam para Bruxelas. A Comissão Europeia deverá se pronunciar nas próximas semanas sobre os aspectos concorrenciais da fusão e também analisar o processo dentro das regras europeias relativas a subsídios estrangeiros. Essa etapa será decisiva para a criação definitiva da Saipem7.
Para Brasil e Itália, a operação também simboliza o fortalecimento de uma parceria que vai além das relações comerciais tradicionais. O setor de energia, especialmente nas áreas de petróleo offshore, transição energética e infraestrutura submarina, tornou-se um dos principais pontos de convergência entre os dois países. Com a aprovação do Cade, o Brasil não apenas participa de uma das maiores operações corporativas do setor energético global, mas reafirma seu papel como mercado estratégico para investimentos, inovação tecnológica e desenvolvimento da indústria de óleo e gás.
