Existe uma Itália que acelera e outra que ainda tenta alcançar. O novo mapa dos rendimentos das famílias italianas revela um país dividido entre crescimento e desigualdade, onde o Sul começa a reagir, mas o Norte continua muito à frente. Segundo um estudo analisado pelo jornal Corriere della Sera, com base em dados de Unioncamere e do Centro Studi Guglielmo Tagliacarne, 2024 marcou um avanço importante no Mezzogiorno, mas também confirmou um dado estrutural: a distância econômica entre as regiões ainda é profunda.
O dado que chama atenção à primeira vista é o crescimento. As regiões do sul da Itália registraram um aumento médio de 3,38% na renda disponível das famílias, superior ao restante do país. É um sinal de recuperação, especialmente em territórios historicamente mais frágeis do ponto de vista econômico. Mas o crescimento percentual não conta toda a história. Em valores absolutos, o Norte ainda mantém uma vantagem clara. A renda média por pessoa nas regiões setentrionais continua cerca de 50% superior à do Sul.
O dinamismo do Sul aparece também na lista das províncias com maior crescimento. Entre as dez primeiras colocadas, seis estão no Mezzogiorno. No topo está Rimini, com um aumento de 5,78%, seguida por Ragusa na Sicília, com 5,55%, e Veneza, com 4,95%. Logo depois aparecem Benevento, com 4,85%, e Teramo, com 4,80%. A lista segue com Arezzo e Caltanissetta, ambas com crescimento de 4,75%. Completam o ranking Siracusa (4,73%), Cuneo (4,71%) e Bari (4,68%). No lado oposto, algumas províncias mostram dificuldades, como Prato, que registra queda, além de Imperia e Ancona, com crescimento praticamente estagnado.
Se o crescimento mostra um Sul mais dinâmico, o ranking absoluto de renda revela outra realidade. No topo está Milão, com 36.188 euros por pessoa, consolidando-se como o principal centro econômico do país. Em seguida aparecem a província de Bolzano, com 32.680 euros, e Monza, com mais de 30 mil euros. O grupo das regiões mais ricas inclui ainda Bolonha (29.191 euros), Parma (27.616 euros) e Gênova (27.599 euros). A lista segue com Florença, que sobe posições com 27.363 euros, e Reggio Emilia, logo atrás.
Na parte inferior da classificação, a realidade muda drasticamente. Foggia aparece na última posição, com apenas 14.953 euros por pessoa. Logo acima estão Agrigento e Caserta, com valores pouco superiores. A diferença entre Milão e Foggia chega a mais de 21 mil euros por habitante, um dos dados mais simbólicos desse desequilíbrio.
Para encontrar uma província do Sul em posições mais altas, é preciso descer bastante no ranking. Cagliari aparece apenas na 35ª colocação. No total, 18 das últimas 20 posições são ocupadas por localidades do Mezzogiorno, mostrando como a desigualdade territorial ainda é profunda. Ao mesmo tempo, as primeiras posições permanecem praticamente inalteradas há anos. Desde 2021, o topo da lista continua dominado pelas mesmas regiões: Milão, Bolzano, Monza e Brianza, Bolonha, Parma e Gênova.
O dado mais interessante desse retrato é justamente o contraste. O Sul cresce mais rápido, mas parte de uma base muito mais baixa. O Norte cresce menos, mas mantém sua liderança consolidada. Algumas províncias mostram movimentos relevantes, como Rimini, que sobe posições rapidamente, enquanto outras, como Prato, registram quedas significativas.
Esse mapa dos rendimentos revela mais do que números. Ele mostra um país em transformação, onde antigas diferenças regionais continuam presentes, mas começam a ser desafiadas. O Sul tenta recuperar terreno. O Norte segue forte. No meio, uma Itália que busca reduzir distâncias históricas e encontrar um novo equilíbrio entre crescimento e igualdade.
Renda cresce no Sul da Itália, mas desigualdade com Norte persiste

