O vinho italiano atravessa um momento de contrastes no mercado internacional. Enquanto as vendas para os Estados Unidos registraram forte queda no início de 2026, países como Brasil, México, China e Rússia aparecem como novos motores de crescimento para o setor. Os dados são do Observatório da União Italiana Vinhos (Uiv).
Segundo o levantamento, as exportações italianas para mercados fora da União Europeia fecharam o primeiro trimestre do ano com faturamento próximo de 1 bilhão de euros, uma retração de 11% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar disso, março mostrou sinais de desaceleração da queda, com estabilidade nos volumes embarcados.
O principal impacto veio justamente dos Estados Unidos, historicamente o maior comprador do vinho italiano no mundo. Em março, as vendas para o mercado americano recuaram mais de 20%. O cenário, porém, também reflete um movimento atípico ocorrido no ano passado, quando importadores aceleraram compras antes da possível adoção de novas tarifas comerciais defendidas pelo presidente Donald Trump.
Enquanto o mercado americano desacelera, outros destinos começam a ganhar protagonismo. O Brasil aparece entre os países que mais ampliaram a demanda por rótulos italianos nos primeiros meses de 2026. O avanço é associado pelos produtores italianos ao fortalecimento das relações comerciais entre União Europeia e Mercosul, que vem reduzindo barreiras e ampliando oportunidades para o setor agroalimentar.
O crescimento brasileiro chama atenção porque o país se consolidou nos últimos anos como um dos mercados mais estratégicos para vinhos premium e espumantes italianos na América Latina. Produtos como Prosecco, Brunello, Barolo e vinhos da Toscana e do Vêneto ganharam espaço tanto em restaurantes quanto no consumo doméstico de um público brasileiro cada vez mais interessado na cultura gastronômica italiana.
Mesmo diante das dificuldades globais, alguns segmentos seguem resilientes. O Prosecco, por exemplo, continua crescendo nos Estados Unidos, especialmente nas faixas mais sofisticadas do mercado. Já os produtores italianos defendem uma redução controlada da produção para evitar excesso de oferta e proteger os preços e a qualidade do vinho italiano no cenário internacional.
Exportações de vinho italiano caem nos EUA, mas crescem no Brasil

