A Italia já se pergunta: quem vai pagar os impostos quando a inteligência artificial fizer o trabalho?

Essa é a reflexão proposta por um estudo publicado pelo Corriere della Sera, que parte de um fenômeno já visível nos Estados Unidos.
Em alguns setores, especialmente tecnologia, audiovisual, finanças e desenvolvimento de software, empresas já estão reduzindo equipes porque parte das tarefas passou a ser executada por sistemas de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, profissionais altamente qualificados conseguem produzir o trabalho que antes exigia grupos inteiros de funcionários.
O problema vai além do mercado de trabalho. Em países como a Itália, mais da metade da arrecadação pública vem de impostos e contribuições pagos por trabalhadores assalariados. Se esse número diminuir, os governos podem enfrentar dificuldades para manter o financiamento do Estado justamente em um momento de envelhecimento da população e aumento dos gastos públicos.
Ao mesmo tempo, cresce a concentração de riqueza nas empresas que desenvolvem inteligência artificial e em um número reduzido de profissionais extremamente produtivos. Muitos desses grupos operam internacionalmente e utilizam estruturas tributárias complexas, tornando mais difícil para os países tributar os lucros gerados pela nova economia.
Por isso, alguns governos já começam a testar novas soluções. O estado americano da Virgínia criou uma taxa específica para data centers, enquanto a Finlândia eliminou incentivos fiscais concedidos a essas estruturas, numa tentativa de adaptar o sistema tributário à economia da inteligência artificial.
Ainda não existe uma resposta definitiva. O debate envolve competitividade, inovação e justiça fiscal. Mas uma certeza já começa a aparecer: a revolução da inteligência artificial não mudará apenas a forma como trabalhamos. Ela poderá obrigar governos de todo o mundo a repensar um modelo tributário construído para uma economia em que o trabalho humano era a principal fonte de riqueza.
