Turistas estrangeiros gastam quase € 57 bilhões na Itália e mudam o setor

A Itália continua sendo um dos destinos mais desejados do mundo, mas o turismo internacional está mudando de perfil. Os visitantes estrangeiros não procuram apenas monumentos, praias ou paisagens: querem viver experiências, descobrir a gastronomia local, participar de visitas guiadas e conhecer a cultura de cada região. O resultado aparece nos números.

Segundo um estudo do CST – Centro Studi Turistici de Florença para a Confesercenti, elaborado com base em dados do Banco da Itália, os turistas internacionais gastaram 56,7 bilhões de euros no país em 2025, um crescimento de 4,6% em relação ao ano anterior. Para 2026, a previsão é de que esse valor alcance 58,9 bilhões de euros, confirmando a força do turismo como um dos motores da economia italiana.

A maior parte desse dinheiro continua sendo destinada à hospedagem, responsável por 45,2% dos gastos totais. Em seguida aparecem restaurantes e alimentação, com 23%, refletindo o crescente interesse dos visitantes pela culinária italiana. Compras representam 15,2% das despesas, enquanto transporte interno e outros serviços completam o restante.

Mas é justamente essa última categoria que mais chama a atenção. Gastos com museus, visitas guiadas, excursões, concertos, experiências exclusivas e atividades de bem-estar cresceram quase 16% em um ano, mostrando que o chamado turismo de experiência deixou de ser tendência para se tornar realidade.

Apesar do desempenho positivo, a riqueza gerada pelos visitantes ainda está concentrada. Quatro regiões absorvem 56% de todo o consumo turístico estrangeiro: Lazio, onde está Roma; Lombardia, com Milão; Veneto, impulsionado por Veneza; e Toscana, uma das regiões mais famosas do país. Campânia e Trentino-Alto Ádige aparecem logo depois, enquanto regiões como Molise e Basilicata ainda recebem uma parcela muito pequena dessa movimentação econômica.

Quando o motivo da viagem é exclusivamente lazer, o turismo cultural domina com folga. As cidades de arte respondem por mais da metade dos gastos dos estrangeiros durante as férias, muito à frente das viagens ao litoral e da temporada nas montanhas.

O estudo mostra ainda uma mudança importante no comportamento dos viajantes. Cada vez mais, a escolha de um destino não depende apenas de sua beleza, mas da qualidade das experiências que ele consegue oferecer. Para a Itália, país que reúne patrimônio histórico, gastronomia, paisagens e tradição em praticamente todas as regiões, essa transformação representa uma oportunidade para diversificar o turismo e distribuir melhor os benefícios econômicos pelo território.
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