Necrópole de 2.600 anos revela túmulos de elite e carro de guerra na Itália

A costa do mar Adriático continua revelando capítulos desconhecidos da história da Itália antiga. Arqueólogos anunciaram a descoberta de uma impressionante necrópole aristocrática do século VI a.C. em Sirolo, na Riviera do Conero, região de Marche, considerada uma das mais importantes escavações arqueológicas realizadas nos últimos anos no centro do país.

Segundo o portal Ancona Today, o complexo funerário lança uma nova luz sobre a civilização dos picenos, povo que habitou a costa adriática antes da expansão romana e controlava importantes rotas comerciais entre o Mediterrâneo e o interior da península Itálica.

A descoberta ocorreu durante trabalhos de arqueologia preventiva coordenados pela Superintendência de Arqueologia das províncias de Ancona e Pesaro-Urbino, em parceria com o município de Sirolo e o Ministério da Cultura italiano.

O que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi a monumentalidade do conjunto funerário. No centro da área foi encontrada a sepultura de um homem pertencente à elite local, acompanhada por um currus, um carro de guerra de duas rodas, além de armas e objetos de prestígio que evidenciam seu elevado status social.

Ao lado dela, os arqueólogos localizaram uma sepultura feminina excepcionalmente preservada. Diferentemente da maioria dos achados desse período, o túmulo conservava vestígios de tecidos, calçados, adornos pessoais e até partes da estrutura de madeira da cama funerária onde o corpo havia sido depositado há cerca de 2.600 anos.

Outro aspecto considerado inédito é a presença de uma grande paliçada de madeira delimitando toda a área funerária. Até hoje, as necrópoles conhecidas da cultura picena costumavam ser cercadas apenas por fossos, tornando essa solução arquitetônica uma novidade para os pesquisadores.

Os picenos foram um dos povos mais influentes da Itália central antes da conquista romana. Entre os séculos VII e VI a.C., desenvolveram uma sociedade hierarquizada, enriquecida pelo comércio marítimo no Adriático e pelos contatos constantes com etruscos, gregos e outras populações do Mediterrâneo. As sepulturas monumentais eram uma forma de demonstrar poder, riqueza e prestígio das famílias que dominavam a região.

Para os especialistas, a nova descoberta permitirá compreender melhor como essas elites construíam sua identidade política e econômica, além de aprofundar o conhecimento sobre as relações comerciais e culturais entre o litoral adriático e outras partes da península Itálica.

Os trabalhos de restauração e estudo dos objetos encontrados ainda estão em andamento. A expectativa dos arqueólogos é que a análise dos materiais revele novas informações sobre uma das civilizações mais importantes — e ainda pouco conhecida — da Itália pré-romana.
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