A Italiana SOL compra controle de empresa brasileira IBG e cria polo de gases industriais

A informação foi divulgada no portal Borsa Italiana, que destaca a transação como mais um passo no processo de internacionalização da empresa italiana.
Fundada em 1927 e com ações negociadas na bolsa de Milão, a SOL atua em segmentos essenciais para a economia, fornecendo gases utilizados por hospitais, indústrias, laboratórios, siderúrgicas, empresas de alimentos, química, metalurgia e diversos outros setores produtivos. Além disso, o grupo também é um dos principais operadores europeus em assistência médica domiciliar.
Com a nova operação, a empresa amplia sua atuação no Brasil, onde já estava presente desde 2015 por meio de empresas voltadas ao atendimento domiciliar e ao setor hospitalar. Agora, passa também a atuar de forma direta no mercado brasileiro de gases industriais e medicinais, considerado um dos mais promissores da América Latina.
A empresa adquirida, a IBG, foi fundada em 1992, em São Paulo, pelo empresário Newton de Oliveira e se consolidou como a maior companhia brasileira independente no segmento de gases técnicos. Seu portfólio inclui a produção e distribuição de oxigênio, nitrogênio, argônio, dióxido de carbono, óxido nitroso, acetileno e gases especiais, atendendo hospitais e indústrias em praticamente todo o território nacional.
Mesmo com a entrada da SOL no controle da companhia, Newton de Oliveira permanecerá como acionista com 49% da empresa e continuará à frente da gestão da IBG, preservando a experiência acumulada ao longo de mais de três décadas de atuação no mercado brasileiro.
Os valores da transação não foram divulgados. Segundo as empresas, o negócio foi fechado em condições compatíveis com outras operações semelhantes realizadas no setor. A aquisição contou ainda com apoio financeiro da Cassa Depositi e Prestiti (CDP) e da SIMEST, instituições italianas voltadas ao financiamento da internacionalização de empresas do país.
Os números da IBG ajudam a explicar o interesse do grupo italiano. Em 2025, a companhia registrou faturamento bruto de aproximadamente 35 milhões de euros e empregava 258 colaboradores. Sua estrutura industrial inclui cinco unidades de separação de ar – responsáveis pela produção de oxigênio, nitrogênio e argônio líquidos – fábricas de dióxido de carbono, acetileno e óxido nitroso, além de diversas unidades para enchimento de cilindros destinados aos mercados industrial, hospitalar e de gases especiais.
A escolha do Brasil faz parte de uma estratégia de longo prazo. Com uma das maiores bases industriais do mundo e um sistema de saúde de grande dimensão, o país apresenta demanda crescente por gases medicinais, fundamentais para hospitais e clínicas, além de gases industriais utilizados em processos produtivos de setores como siderurgia, mineração, alimentos, energia e manufatura.
Para a SOL, a combinação entre sua experiência internacional e o conhecimento do mercado local da IBG deve fortalecer a posição das duas empresas em um segmento considerado estratégico para o desenvolvimento industrial e para a área da saúde.
O movimento também reflete uma tendência mais ampla das empresas italianas, que vêm intensificando investimentos no Brasil nos últimos anos. Além da afinidade histórica entre os dois países, o mercado brasileiro continua sendo visto como uma das principais portas de entrada para negócios na América Latina, especialmente em setores ligados à infraestrutura, tecnologia, saúde e indústria.
Com a aquisição da IBG, a SOL amplia sua presença em um mercado considerado prioritário e reforça os laços econômicos entre Itália e Brasil, consolidando uma parceria que vai muito além do comércio tradicional e passa também pela expansão de grupos industriais italianos em território brasileiro.
