No Rio Grande do Sul, raízes do Vêneto seguem vivas entre língua e memória

Publicado pelo portal Vipiù.it, o projeto acompanha diferentes comunidades e mostra como língua, memória familiar e tradições permanecem como elementos importantes da identidade construída pelas famílias de origem italiana no Sul do Brasil.
O Rio Grande do Sul foi um dos principais destinos da grande imigração italiana iniciada na segunda metade do século XIX. Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Itália, a chegada em massa de italianos ao estado começou a partir de 1875, principalmente a partir do norte da Itália. Atualmente, cerca de 30% da população gaúcha possui ascendência italiana, segundo dados divulgados pela Embaixada da Itália.
Entre os elementos preservados pelas comunidades está o talian, língua de imigração formada principalmente a partir de variedades vênetas e que se desenvolveu no Brasil a partir das comunidades estabelecidas no Sul. A Embaixada da Itália destaca sua presença histórica no Rio Grande do Sul e em outros estados brasileiros como parte da herança cultural da imigração.
O trabalho de Zago concentra-se justamente nessa dimensão cotidiana da herança italiana. O percurso passa por locais onde a memória dos imigrantes foi preservada por meio de acervos, associações, monumentos e iniciativas culturais. Em vez de apresentar apenas a história da imigração, o vídeo procura registrar como essa história permanece visível nas comunidades descendentes.
A presença italiana também continua tendo peso institucional e cultural no estado. O Consulado-Geral da Itália em Porto Alegre atende atualmente mais de 135 mil cidadãos italianos inscritos no AIRE, enquanto a comunidade de origem italiana no Rio Grande do Sul é estimada em cerca de quatro milhões de pessoas.
O vínculo com o Vêneto aparece de maneira particularmente forte em várias localidades da Serra Gaúcha. A própria Embaixada italiana já destacou, em visitas oficiais à região, a preservação de tradições e referências culturais vênetas em cidades como Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Antônio Prado.
O vídeo-reportagem transforma esses lugares em pontos de uma viagem pela memória da imigração. São histórias familiares e manifestações culturais que, depois de várias gerações, foram incorporadas à realidade brasileira sem desaparecer completamente de suas origens italianas.
