A italiana Saipem leva drones submarinos ao Brasil e muda setor offshore

O fundo do oceano virou uma das novas fronteiras da robótica global e o Brasil está no centro dessa transformação. A italiana Saipem, uma das maiores empresas de engenharia energética do mundo, vem ampliando no país projetos de drones submarinos autônomos capazes de operar em grandes profundidades sem controle humano direto.

A informação foi destacada pelo portal especializado Droneblog.news, que mostrou como tecnologias desenvolvidas pela companhia já estão sendo utilizadas entre Noruega, Mediterrâneo e plataformas offshore brasileiras. No Brasil, a Saipem trabalha em parceria com a Petrobras utilizando o drone submarino FlatFish, sistema criado para realizar inspeções avançadas em estruturas energéticas localizadas em águas profundas.

O projeto representa uma das aplicações industriais mais avançadas do mundo no uso de veículos subaquáticos totalmente autônomos dentro do setor offshore. Na prática, esses drones funcionam como robôs inteligentes capazes de navegar no fundo do mar utilizando sensores, câmeras de alta definição, inteligência artificial e sistemas próprios de orientação. O objetivo é monitorar oleodutos, plataformas, cabos submarinos e outras infraestruturas críticas sem necessidade de mergulhadores ou operações humanas permanentes.

O Brasil se tornou peça estratégica nesse desenvolvimento por causa do pré-sal e da enorme dimensão das operações offshore brasileiras. Grande parte da produção de petróleo do país acontece em áreas marítimas profundas e extremamente complexas, onde inspeções e manutenções tradicionais envolvem altos custos operacionais e riscos elevados. É justamente aí que entram os drones submarinos.

Segundo a Saipem, sistemas como o FlatFish permitem reduzir custos, aumentar segurança e diminuir o impacto ambiental das operações marítimas, já que reduzem a necessidade de grandes embarcações de apoio circulando constantemente nas áreas de exploração. A tecnologia também ajuda a acelerar o monitoramento contínuo das estruturas energéticas, algo cada vez mais importante em um cenário global de maior exigência ambiental e segurança operacional. O projeto brasileiro faz parte de uma estratégia internacional muito mais ampla da empresa italiana.

Na Noruega, por exemplo, a Saipem opera o HydroneR, um drone submarino residente utilizado em parceria com a Equinor no campo offshore de Njord, no Mar do Norte. O sistema já ultrapassou 500 dias de permanência subaquática e conseguiu operar durante até 240 dias consecutivos no fundo do mar sem necessidade de recuperação para superfície.

O diferencial desses novos drones está justamente na autonomia. Ao contrário dos veículos submarinos tradicionais ligados por cabos a navios de superfície, os novos sistemas conseguem operar sozinhos durante longos períodos, executando missões complexas mesmo em condições meteorológicas extremas. Além do setor energético, a tecnologia começa também a ganhar espaço em pesquisas científicas e monitoramento ambiental.

A Saipem participa atualmente de projetos ligados ao estudo dos ecossistemas marinhos no Mediterrâneo, utilizando drones para coletar dados sobre habitats submarinos, biodiversidade e impactos das mudanças climáticas. O crescimento desse mercado acompanha uma transformação global da chamada economia azul, conceito que reúne energia offshore, pesquisa oceânica, infraestrutura marítima e tecnologias ligadas aos oceanos.

Nesse cenário, o Brasil aparece como um dos países mais estratégicos do mundo por combinar enormes reservas marítimas, forte presença da indústria petrolífera e necessidade crescente de tecnologias avançadas para operações em águas profundas.

A expansão dos drones submarinos mostra também como inteligência artificial e automação começam a redefinir um setor historicamente associado a operações pesadas e altamente arriscadas. E boa parte dessa revolução silenciosa já está acontecendo no fundo do mar brasileiro.
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