Comércio Itália-Brasil supera €11 bilhões em 2025 e vai crescer com o acordo UE-Mercosul

Brasil e Itália vivem uma fase de aproximação econômica cada vez mais intensa, impulsionada pelo avanço do acordo entre União Europeia e Mercosul e pelo crescimento dos investimentos bilaterais. Um estudo apresentado em Roma pela Deloitte mostra que o intercâmbio comercial entre os dois países ultrapassou 11 bilhões de euros em 2025, reforçando o peso estratégico do mercado brasileiro para empresas italianas.

Os dados foram divulgados pelo portal Ore12.net durante a apresentação do relatório “Italy and Brazil: Strengthening ties in the EU-Mercosur era”, elaborado pelo centro de relações institucionais da Deloitte. O estudo aponta que mais de 1.100 empresas italianas operam atualmente no Brasil, com investimentos superiores a 13 bilhões de euros. O país é visto pela indústria italiana como o principal mercado do Mercosul e uma das economias emergentes mais relevantes para os próximos anos.

A análise destaca especialmente o potencial brasileiro em setores como energia, agroindústria, infraestrutura, tecnologia ambiental e máquinas industriais. Para empresas italianas, o Brasil combina dimensões continentais, forte mercado consumidor e papel estratégico nas cadeias globais ligadas a alimentos, commodities e transição energética.

Um dos pontos centrais do relatório é justamente o impacto esperado do acordo UE-Mercosul, que entrou em aplicação provisória em maio de 2026 e deve reduzir gradualmente tarifas, barreiras burocráticas e custos comerciais entre Europa e América do Sul. Segundo a Deloitte, o acordo pode acelerar principalmente áreas em que existe complementaridade entre indústria italiana e demanda brasileira.

Entre os setores mais promissores aparecem máquinas e equipamentos industriais, segmento no qual as exportações italianas para o Brasil já superaram 2 bilhões de dólares em 2024. Também ganham destaque o agritech, impulsionado pela força do agronegócio brasileiro, e o setor energético, que deverá receber investimentos bilionários na próxima década.

O relatório chama atenção ainda para o peso crescente das energias renováveis no Brasil. Atualmente, mais de 88% da eletricidade brasileira já é gerada por fontes renováveis, cenário que abre espaço para tecnologias italianas ligadas à eficiência energética e sustentabilidade industrial.

Outro ponto relevante é o papel histórico das relações entre os dois países. A presença italiana no Brasil vai muito além do comércio. A imigração italiana ajudou a moldar setores inteiros da economia brasileira, especialmente no Sudeste e Sul do país, criando conexões culturais e empresariais que continuam influenciando investimentos e parcerias até hoje.

Nesse contexto, o Brasil aparece para a Itália não apenas como mercado consumidor, mas como parceiro industrial estratégico dentro da nova reorganização econômica global.
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