Prato é uma pequena cidade localizada não muito longe de Florença. Capital italiana dos tecidos, dos “cenci”, como são chamados no dialeto toscano.
Pois é, nesta pequena cidade existe uma das cadeias produtivas mais importantes do mundo, talvez a mais importante no setor têxtil.
Prato está situada na planície do Val Bisenzio, atravessada pelo rio de mesmo nome. Foi justamente essa proximidade com a água que favoreceu, ao longo dos séculos, o desenvolvimento das atividades ligadas ao setor têxtil.
Ao longo de sua longa história, a atividade manufatureira sempre foi próspera, tornando-se um centro europeu de referência para o processamento da lã. Tudo começou na Idade Média, com as corporações da Arte da Lã, enquanto no século XIX teve início a fase industrial em larga escala.
Um tipo específico de produção nasceu justamente aqui: a lã regenerada, obtida a partir dos “cenci”, aos quais, entre as décadas de 60 e 80 do século XX, passaram a se juntar também materiais como o nylon.
Pensem que já em 1955, 85% de todos os trapos reciclados pedaços de tecido, panos velhos e resíduos passavam por esta cidade. Em 2018, considerado um ano normal, Prato reciclou impressionantes 143 mil toneladas de roupas usadas, transformando-as em novo tecido.
Para terem uma ideia: 143 mil toneladas correspondem a cerca de 700 milhões de camisetas. Tudo isso em apenas um ano.
Este pequeno distrito toscano recicla, sozinho, cerca de 15% dos tecidos reciclados em todo o mundo. 15% do planeta.
O mundo, no geral, recicla apenas 1% dos tecidos que produz e, sem dúvida, o fenômeno do fast fashion piora ainda mais esse cenário. Produções em massa de baixo custo, somadas ao uso de materiais frequentemente altamente poluentes, contribuem para aumentar o impacto ambiental e a poluição do nosso planeta.
É por isso que muitas empresas estão migrando para uma produção mais sustentável, já pensando os produtos dentro de uma lógica de reciclagem.
O processo acontece através de diversas etapas de seleção e transformação.
Os cenciaioli como são chamados no dialeto toscano os profissionais responsáveis pela seleção dos tecidos, verdadeiros especialistas em fibras selecionam os trapos e resíduos adequados para reciclagem, separando-os por categoria, como lã, cashmere e cor. Dessa forma, evita-se também o uso de tinturas químicas poluentes.
A carbonização é um processo químico desenvolvido para remover impurezas vegetais, como viscose ou algodão, presentes nas roupas de lã, deixando apenas a fibra natural.
Depois vem o desfibramento: os tecidos são trabalhados por máquinas específicas que, através de uma ação mecânica, separam as fibras, transformando o material em fibra bruta pronta para novas etapas de produção.
Por fim chega a fiação. A fibra bruta é regenerada, misturada e posteriormente fiada, obtendo assim um novo fio e um novo tecido.
Agora vocês conhecem o processo básico da reciclagem têxtil.
Imaginem quanto material poderia ser recuperado se o mundo inteiro adotasse políticas de reciclagem mais eficientes. Menos poluição, menos aterros sanitários, uma produção mais consciente.
As políticas estão mudando, principalmente no setor do luxo. Muitos influenciadores italianos também estão promovendo, através das redes sociais, o conceito de consumo consciente: comprar menos, mas comprar melhor.
Comprar uma peça feita com algodão 100% natural é certamente melhor do que comprar uma camiseta composta metade de nylon e metade de poliéster ou outros materiais sintéticos.
Os produtos naturais duram mais.

