O vulcão Etna em erupção paralisa o aeroporto Catânia: milhares de passageiros em terra

A Sicília vive dias de contraste: enquanto o Etna oferece um dos espetáculos naturais mais impressionantes da Europa, sua atividade vulcânica transformou a viagem de milhares de turistas em um problema logístico. A emissão de cinzas obrigou a restringir o espaço aéreo e deixou o aeroporto de Catânia, um dos principais da Itália, com operações severamente comprometidas.

O episódio ocorre justamente no início do período mais intenso das férias italianas, às vésperas do Ferragosto, quando milhões de pessoas se deslocam pelo país. Segundo os números publicados pelo Corriere della Sera, entre 8 e 11 de agosto foram cancelados pelo menos 388 voos de partida em Catânia, 55% do total programado. Outros 212 voos previstos para pousar foram cancelados ou desviados.

A alternativa encontrada por muitas companhias foi transferir operações para outros aeroportos sicilianos, principalmente Comiso e Palermo. Para os passageiros, isso significa continuar a viagem por estrada, muitas vezes enfrentando dificuldade para encontrar ônibus, táxis ou carros disponíveis.
Entre as companhias mais afetadas estão Ryanair, easyJet, ITA Airways e Wizz Air, que concentram uma parcela importante dos voos do aeroporto.
O vulcão que muda os planos

O Etna, com mais de 3.300 metros, é um dos vulcões mais ativos do planeta e faz parte da paisagem e da identidade da Sicília. Mas, para a aviação, sua atividade representa um risco concreto: partículas de cinza vulcânica podem comprometer os motores das aeronaves.

A atual fase eruptiva inclui novas fraturas e diferentes fluxos de lava, enquanto o monitoramento do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) mantém atenção elevada sobre a evolução do fenômeno. Por isso, a retomada dos voos depende menos de um calendário fixo do que das condições reais do vulcão e do espaço aéreo.

A parte importante para o viajante é que uma erupção vulcânica é considerada uma circunstância extraordinária pelas regras europeias. Portanto, normalmente não há direito à indenização financeira por cancelamento.
Isso não elimina, porém, o dever de assistência da companhia.

Mesmo em uma situação de força maior, o passageiro afetado pode ter direito a alimentação, bebidas, hotel e transporte entre o aeroporto e a hospedagem, quando necessários. Se precisar pagar essas despesas diretamente porque a companhia não conseguiu providenciá-las, deve guardar notas e recibos para solicitar posteriormente o reembolso das despesas razoáveis e comprovadas.

Também existe uma regra importante para quem chega a um aeroporto diferente do previsto: se o voo for desviado, a companhia deve providenciar o transporte terrestre até o destino original ou outro ponto acordado.

No fim, o Etna continua fazendo aquilo que faz há milhares de anos: mudar a paisagem da Sicília. Desta vez, porém, também mudou a programação de férias de milhares de pessoas, justamente quando a ilha entra em seu período mais movimentado.
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