Grado: a segunda Veneza da Itália com lagoa, termas, praias e turismo autêntico longe das multidões

Uma lagoa para explorar de barco, sabor de mar e águas termais

Grado também é conhecida como a Ilha do Sol. Não por causa do clima ameno ou das muitas horas de luz que iluminam a lagoa durante o dia, o principal motivo está no estilo de vida que se respira neste pedaço do Adriático.

Aqui os dias parecem mais longos, acompanhados pelo constante vai e vem dos pequenos barcos que entram e saem do porto, conhecido como Mandracchio, e pelos longos pores do sol que iluminam o horizonte do Adriático.

A primeira impressão que conquista os visitantes é o antigo porto da cidade. Tudo é marcado pela calma e pelo silêncio. Os pescadores organizam as redes, os restaurantes preparam as mesas e das cozinhas chegam os aromas do mar.

Imagine que Grado está a apenas uma hora de carro de sua irmã muito mais famosa, Veneza. No entanto, aqui ainda se preserva a típica hospitalidade italiana, uma espécie de dolce vita que não foi afetada pelo overtourism que transformou a Sereníssima.

As vielas de Grado são estreitas, o centro histórico é formado por pequenas casas de pescadores e a lagoa faz parte integrante da vida social e econômica da comunidade.

Os austríacos descobriram Grado muito antes do turismo de massa moderno. Na época em que Trieste era o grande porto do Império Austro-Húngaro e as férias à beira-mar começavam a se tornar moda entre aristocratas e burgueses, desde então, Grado é apreciada pelo clima ameno e pelas suas propriedades termais.

Ainda hoje os austríacos frequentam a cidade regularmente. Muitas famílias passam as férias aqui há gerações. As termas marinhas foram recentemente renovadas e representam uma das principais atrações da cidade. O complexo oferece talassoterapia, programas de prevenção e atividades voltadas para a longevidade. Todos os tratamentos utilizam água do mar e incluem saunas, banhos de vapor e piscinas de borda infinita voltadas para o Adriático.

Mas em Grado o bem-estar não é apenas uma atração turística: faz parte da cultura local e de um verdadeiro estilo de vida. Na praia, muitos moradores praticam yoga ao som das ondas e sob a brisa do mar. Corridas, atividades ao ar livre e percursos para caminhadas completam uma oferta ideal para quem busca movimento e qualidade de vida.

Em pequenas embarcações é possível percorrer os canais da lagoa, explorar águas rasas e observar uma vegetação pantanosa ainda preservada e exuberante.

Mas o ponto alto vem agora. A ilha de Barbana, onde se encontra um dos mais antigos santuários do Adriático. Durante o trajeto é possível observar a água mudando continuamente de cor com os reflexos do sol. Silêncio, bandos de pássaros e natureza intocada envolvem o visitante, longe do caos, das multidões e dos ruídos do cotidiano. Aqui ainda reina a autenticidade.

As raízes de Grado, porém, são muito mais antigas. Seu nome deriva do latim gradus, o porto da antiga Aquileia, uma das cidades mais importantes do Império Romano e durante muito tempo considerada uma espécie de segunda Roma do Adriático.

Quando hunos e lombardos invadiram a região, parte da população e o patriarca encontraram refúgio justamente aqui, contribuindo para transformar um pequeno assentamento lagunar em um importante centro religioso e comercial.

Não por acaso, uma cidade com menos de oito mil habitantes pode hoje se orgulhar de possuir três museus. Entre eles destaca-se o novo Museu do Tesouro da Basílica, inaugurado recentemente após décadas de espera e dedicado a preservar testemunhos do passado religioso e cultural da ilha.

Vale lembrar que até 1936 só era possível chegar a Grado por via marítima. A ponte que hoje a conecta ao continente é relativamente recente e ajuda a explicar por que a ilha conseguiu preservar por tanto tempo uma identidade própria.

Grado também recebe os visitantes com uma forte identidade gastronômica. Entre os pratos mais tradicionais destaca-se o famoso boreto alla graisana: peixe fresco do dia preparado com alho, vinagre, sal e pimenta-do-reino e servido com polenta quente. Uma autêntica receita dos marinheiros da lagoa.

Entre os nomes mais citados está o Ai Bragossi, um dos restaurantes históricos da cidade, apontado por muitos moradores como referência para experimentar o prato símbolo da lagoa. Já a Tavernetta all’Androna é outra das preferidas dos locais, combinando os peixes do Alto Adriático com uma cozinha que equilibra tradição e interpretações contemporâneas.

Quem gosta de atividades ao ar livre pode explorar o território por meio da rede de ciclovias que liga Grado à lagoa, às áreas rurais do interior e às reservas naturais de Valle Cavanata e da Foz do Isonzo.

A bicicleta torna-se o meio ideal para entrar em sintonia com um território que convida a desacelerar e observar. Não por acaso, Grado é o destino final da famosa ciclovia Alpe Adria, que conecta Salzburgo ao Adriático atravessando Alpes, vales e planícies.

Na primavera e no outono, centenas de cicloturistas chegam aqui para concluir a viagem diante do mar, transformando a ilha na etapa final de um dos percursos mais fascinantes da Europa. Bastam poucos quilômetros para passar do centro histórico aos espelhos d’água frequentados por aves migratórias, dos juncais às áreas protegidas onde a natureza domina a paisagem.

Por isso não surpreende que Grado continue acumulando reconhecimentos ambientais. Também neste ano a localidade confirmou suas Bandeiras Azuis, atribuídas à Praia Principal, Costa Azzurra e Pineta, três trechos do litoral que representam perfeitamente a relação entre a cidade e o mar.

Com pouco mais de sete mil habitantes, Grado supera atualmente 1,4 milhão de pernoites turísticos por ano. Um resultado que poucas localidades do mesmo porte conseguem alcançar.

Mesmo assim, Grado continua escapando da lógica do overtourism. Não promete adrenalina nem vida noturna agitada. Não possui grandes casas noturnas e não vive do turismo de passagem.

Quem chega aqui procura, acima de tudo, uma coisa: desconectar.

As famílias escolhem suas águas rasas e seguras, os cicloturistas chegam após centenas de quilômetros pedalados, os visitantes das termas buscam bem-estar e muitos retornam simplesmente para reencontrar um ritmo de vida mais lento.

Como chegar a Grado

De avião: O aeroporto mais próximo é o Aeroporto de Trieste, localizado a cerca de 18 km de Grado. Do aeroporto partem ônibus diretos da empresa APT Gorizia que chegam a Grado em aproximadamente 50 a 60 minutos.

De trem: Grado não possui estação ferroviária própria. A estação mais próxima é Cervignano-Aquileia-Grado, localizada a cerca de 16 km. Da estação saem ônibus frequentes para Grado.

De carro: Partindo de Veneza ou Trieste, siga pela rodovia A4 até a saída de Palmanova e depois continue pela estrada regional SR352 em direção a Grado. Vindo de Trieste, recomenda-se a saída Redipuglia-Monfalcone Ovest.

Saindo de Veneza

De carro: cerca de 1 hora e 30 minutos.

De trem até Cervignano-Aquileia-Grado e depois de ônibus.

Também há conexões de ônibus a partir dos aeroportos da região.

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