Gigante italiano de feiras acelera expansão e aposta no Brasil para crescer

Quando se fala nas grandes empresas italianas, os holofotes costumam se voltar para marcas da moda, da indústria automobilística ou da gastronomia. Mas existe outro setor que se tornou um dos motores da economia do país e vem ganhando cada vez mais relevância internacional: o das feiras e eventos de negócios. É justamente nesse cenário que a Italian Exhibition Group (IEG), dona de algumas das maiores feiras da Itália, consolida uma estratégia de expansão global na qual o Brasil ocupa um papel de destaque.

Segundo informações publicadas pelo portal especializado Missionline, a empresa vive uma das fases mais sólidas de sua história. Além de registrar resultados financeiros recordes, o grupo aposta em aquisições internacionais e considera o mercado brasileiro uma das principais plataformas para sua expansão na América Latina.

Criada em 2016 a partir da fusão entre a Rimini Fiera e a Fiera di Vicenza, a IEG deixou de ser apenas uma organizadora de eventos italianos para se transformar em uma multinacional do setor. Desde sua entrada na Bolsa de Milão, em 2019, a companhia ampliou sua presença internacional, diversificou os negócios e passou a competir diretamente com alguns dos maiores operadores de feiras da Europa.

Ao contrário do que muita gente imagina, o verdadeiro patrimônio de empresas desse segmento não são apenas os centros de convenções ou os pavilhões de exposições. O principal ativo está nas próprias marcas dos eventos. Feiras consolidadas atraem milhares de expositores, compradores e visitantes de dezenas de países, gerando receitas que vão muito além da venda de espaços, incluindo patrocínios, congressos, plataformas digitais e serviços especializados.

Entre os eventos mais conhecidos da IEG estão o SIGEP World, referência mundial para os setores de sorvetes, confeitaria, café e panificação; a Vicenzaoro, considerada uma das principais feiras internacionais de joias; a Ecomondo, dedicada à economia circular e às tecnologias ambientais; a KEY, voltada para a transição energética; a TTG Travel Experience, um dos maiores encontros do turismo europeu; e a RiminiWellness, que reúne profissionais da indústria fitness e do bem-estar.

Depois do forte impacto provocado pela pandemia, quando o setor de eventos praticamente parou em todo o mundo, a recuperação surpreendeu o mercado. Com a retomada dos encontros presenciais, empresas voltaram a buscar contato direto com clientes e parceiros comerciais, impulsionando novamente as grandes feiras internacionais.
Os números refletem essa retomada. No primeiro trimestre de 2026, a IEG ultrapassou 105 milhões de euros em receita e registrou lucro líquido próximo de 23 milhões de euros, confirmando um crescimento acima das expectativas e uma rentabilidade elevada, de acordo com os dados divulgados pela empresa e repercutidos pelo Missionline.

Dentro do plano estratégico até 2030, a internacionalização ocupa posição central. E é justamente nesse contexto que o Brasil aparece como um dos mercados prioritários.

A escolha não é por acaso. O país concentra o maior mercado de feiras e eventos da América Latina, possui uma economia diversificada e um parque industrial capaz de sustentar grandes encontros empresariais em diferentes segmentos. Para a IEG, o Brasil funciona não apenas como um destino de investimentos, mas como uma porta de entrada para toda a região sul-americana.

Nos últimos anos, o grupo intensificou sua presença no país por meio de aquisições e parcerias locais, especialmente em setores como fitness, bem-estar, alimentação, turismo, construção civil e eventos profissionais. A estratégia busca combinar a experiência italiana na criação de grandes marcas internacionais com o potencial de crescimento do mercado brasileiro.

Essa expansão não se limita ao Brasil. Atualmente, a empresa também desenvolve projetos ou mantém operações em mercados como Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Alemanha, México, China e Singapura. Em alguns casos, exporta feiras já consolidadas na Itália; em outros, investe diretamente em empresas locais ou cria eventos em parceria com operadores regionais.

O crescimento da IEG também tem impacto significativo sobre a economia italiana. Grandes feiras movimentam hotéis, restaurantes, companhias aéreas, transporte ferroviário, logística, montagem de estandes e diversos serviços especializados. Por isso, cidades como Rimini e Vicenza transformaram seus centros de exposições em importantes polos de desenvolvimento econômico e de atração de negócios internacionais.

Ao mesmo tempo, a concorrência global é intensa. Grupos como Messe Frankfurt, Koelnmesse, RX Global, Fiera Milano e BolognaFiere disputam espaço nos mesmos mercados internacionais. Para enfrentar esse cenário, a IEG aposta na diversificação de seu portfólio e na expansão contínua de suas marcas.

O resultado é uma transformação que vai muito além da organização de feiras. A empresa busca consolidar-se como um grupo internacional capaz de criar, adquirir e exportar grandes eventos, conectando empresas de diferentes continentes. E, nesse projeto de crescimento, o Brasil deixou de ser apenas um mercado promissor para se tornar uma das peças-chave da estratégia de longo prazo da companhia.
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