Família real do Catar compra a Villa de Berlusconi por € 350 milhões na Itália

Um dos imóveis mais emblemáticos da história política e empresarial italiana está prestes a mudar de mãos. A Villa Certosa, na Costa Esmeralda, residência que durante décadas pertenceu ao ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, foi vendida por cerca de 350 milhões de euros à família real do Catar. A informação, confirmada por fontes próximas aos herdeiros de Berlusconi, foi divulgada pelo jornal Corriere della Sera.

Muito além de uma mansão de luxo, Villa Certosa tornou-se, ao longo dos anos, um dos símbolos da Itália da era Berlusconi. Foi ali que o empresário e líder político recebeu chefes de Estado, empresários, membros da realeza e aliados internacionais, transformando a propriedade em um espaço de encontros diplomáticos informais e de decisões políticas longe dos palácios oficiais de Roma.

Localizada em Porto Rotondo, na Sardenha, a propriedade impressiona pelos números. O complexo ocupa cerca de 58 hectares — uma área equivalente a mais de 80 campos de futebol — e reúne uma residência principal, diversas casas para hóspedes, sete piscinas, spa, campos esportivos, heliporto, um bunker subterrâneo de alta segurança, jardins, lagos artificiais e até uma reprodução de uma gruta inspirada na famosa Grotta di Nettuno. Ao longo dos anos, Berlusconi adquiriu terrenos vizinhos, ampliando gradualmente a propriedade até transformá-la em uma das residências privadas mais valiosas da Europa.

Construída originalmente como Villa Monastero, a propriedade foi comprada por Berlusconi na década de 1980 e passou por sucessivas ampliações. Durante seus mandatos como primeiro-ministro, ganhou inclusive um status institucional inédito: em 2004, um decreto do governo a classificou como residência alternativa de alta segurança para o chefe do Executivo italiano.

A villa também ficou marcada por encontros com alguns dos principais líderes mundiais da época, como Vladimir Putin, George W. Bush, Tony Blair e José Luis Rodríguez Zapatero. Ao mesmo tempo, tornou-se cenário frequente da cobertura da imprensa internacional sobre a vida privada de Berlusconi, especialmente após a divulgação de fotografias feitas do exterior da propriedade que mostravam festas e encontros privados. As imagens, publicadas por veículos internacionais, alimentaram uma longa série de debates políticos e processos judiciais envolvendo direito à privacidade e liberdade de imprensa.

Os compradores pertencem à dinastia Al Thani, que governa o Catar há mais de um século e já possui investimentos relevantes na Itália, especialmente na Sardenha. A operação teria sido conduzida pela Constellation Hotels Holding, empresa ligada aos interesses do xeque Hamad bin Jassim Al Thani, ex-primeiro-ministro e ex-ministro das Relações Exteriores do Catar, considerado uma das figuras mais influentes da economia do país.

A presença do Catar na ilha vem crescendo há vários anos. Além de investimentos na Costa Esmeralda, o grupo qatari também controla o Mater Olbia Hospital, um dos principais hospitais privados da região, e participa de diversos empreendimentos ligados ao turismo de luxo, hotelaria e mercado imobiliário.

A venda encerra um capítulo importante da história recente da Itália. Durante mais de três décadas, Villa Certosa deixou de ser apenas uma residência de verão para se tornar um dos cenários mais conhecidos da política italiana contemporânea, reunindo poder, diplomacia, luxo e controvérsias em um mesmo endereço. Agora, o imóvel inicia uma nova fase sob controle de um dos grupos investidores mais ativos do Oriente Médio no mercado internacional de propriedades de alto padrão.
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