Europa e Italia registram alta record de ISTs entre jovens e acende alerta


As infecções sexualmente transmissíveis voltaram a crescer de forma acelerada na Europa e os jovens estão no centro da preocupação das autoridades de saúde. Dados divulgados pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), amplamente repercutidos pelo jornal La Repubblica, mostram que os casos de gonorreia triplicaram no continente na última década, enquanto os diagnósticos de sífilis dobraram.

O avanço das ISTs reacendeu o debate sobre educação sexual, prevenção e acesso à informação, especialmente entre adolescentes e jovens adultos.
Segundo o levantamento europeu, os casos anuais de gonorreia chegaram a 106 mil em 2024, um aumento de 303% em relação a 2015. A sífilis alcançou 46 mil casos e a clamídia, hoje a doença sexualmente transmissível mais difundida na Europa, superou 213 mil diagnósticos.

Na Itália, os números do HIV permanecem relativamente estáveis, mas ainda altos: foram 2.379 novos diagnósticos em 2024. Especialistas italianos afirmam que a percepção de risco diminuiu nos últimos anos, sobretudo entre os mais jovens. Com os avanços dos tratamentos e o fato de o HIV já não ser visto socialmente como uma sentença de morte, parte da população passou a relaxar no uso de proteção durante as relações sexuais.

O tema ganhou destaque durante a Conferência Italiana sobre Aids e Antivirais, realizada em Catânia, onde médicos e pesquisadores defenderam uma ampliação da educação sexual nas escolas italianas. A preocupação vai além do HIV. Médicos alertam que infecções bacterianas como gonorreia e sífilis, quando não tratadas corretamente, podem causar infertilidade, dores crônicas e até complicações neurológicas e cardíacas.

Outro ponto que preocupa as autoridades europeias é o aumento da sífilis congênita, transmitida da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. O número desses casos praticamente dobrou na Europa em apenas um ano.

Na prática, especialistas defendem uma combinação de medidas simples: maior acesso a testes, campanhas educativas mais modernas, uso consistente de preservativos e informação clara para adolescentes que hoje iniciam a vida sexual cada vez mais cedo, muitas vezes influenciados pelas redes sociais, mas sem orientação adequada. Hospitais italianos, como o Instituto Spallanzani, em Roma, passaram inclusive a organizar semanas de testes gratuitos e ações educativas voltadas aos estudantes do ensino médio.

Os dados europeus mostram também diferenças importantes entre os grupos mais afetados. Homens que fazem sexo com homens concentram a maior parte dos casos de gonorreia e sífilis registrados pelo ECDC, mas especialistas observam crescimento das infecções também entre heterossexuais, especialmente mulheres em idade reprodutiva.

O avanço das ISTs ocorre justamente em um momento em que vários países europeus discutem como atualizar políticas de educação sexual e prevenção para uma geração que vive conectada, mas nem sempre bem informada sobre saúde sexual.

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