Um nome famoso entre os apaixonados por vinho, talvez poucos saibam que Bettino Ricasoli foi também o segundo primeiro-ministro da Itália, de um país recém-unificado.

Ricasoli, além de apaixonado por política, era um nobre e, como todos os nobres da época, possuía terras e propriedades. Nessas terras iniciou a produção de vinho, como bom toscano que era. Foi justamente em um desses vinhedos que decidiu escrever uma carta, uma espécie de estatuto do vinho. Mas não de qualquer vinho: o Chianti.

Em 26 de setembro de 1872, a história do vinho italiano mudou para sempre.

Apelidado de “Barão de Ferro”, sucessor do grande Camillo Benso di Cavour, primeiro premiê italiano, Bettino Ricasoli tinha, porém, uma verdadeira obsessão. Sua prioridade não era Roma. Era o Castello di Brolio, no coração do Chianti, na Toscana.

Este magnífico castelo pertencia havia gerações à Família Ricasoli, uma das famílias nobres mais antigas da Europa ainda em atividade nos dias de hoje.

Como muitos castelos medievais, no passado teve funções defensivas e militares. Foi uma fortaleza estratégica durante as guerras entre Florença e Siena, um baluarte fundamental para controlar a região do Chianti.

Desde 1141 o Castello di Brolio pertence à família Ricasoli. Trinta e duas gerações passaram por este lugar, sobre este mesmo pedaço de terra toscana. E desde sempre aqui se produzia vinho. Mas até então não existia uma verdadeira ordem produtiva, uma identidade definida, uma fórmula precisa.

Bettino Ricasoli decidiu mudar isso. Decidiu colocar ordem nas coisas.

Assim, escreveu uma carta ao professor Studiati, da Universidade de Pisa.

Nessa carta, que se tornou um verdadeiro tratado, foram definidas as características do vinho produzido na região do Chianti. Três uvas. Percentuais exatos. Uma fórmula destinada a mudar o futuro do vinho italiano.

70% Sangiovese
15% Canaiolo
15% Malvasia

Imagine a cena: o primeiro-ministro da Itália, um dos homens mais poderosos do país ao lado do rei, escrevendo para um professor universitário e indicando com precisão quase científica como o vinho Chianti deveria ser produzido.

Uma visão que antecipava o conceito moderno de disciplinar de produção.

Ainda hoje o Castello di Brolio produz vinho Chianti após mais de 150 anos de história. Ali é possível admirar uma das maiores propriedades do Chianti Classico: são 1.200 hectares totais, dos quais 240 hectares de vinhedos e 26 hectares de oliveiras, dentro do município de Gaiole in Chianti.

E ainda hoje a família continua acompanhando com paixão e tradição a produção vinícola sob a liderança do Barão Francesco Ricasoli.

Portanto, da próxima vez que você degustar um vinho Chianti, saberá que aquela fórmula nasceu de uma família que desde 1141 carrega uma paixão transformada em identidade cultural: os Ricasoli.

Uma história de vinho, política, Toscana e memória italiana.

O castelo é aberto à visitação pública em dias e horários pré-estabelecidos.

Serviço:

De 20 de março a 12 de outubro de 2026
Todos os dias, das 10h00 às 19h00
(bilheteria aberta até às 18h00)

15 de maio de 2026
Fechamento antecipado às 18h30
(bilheteria aberta até às 17h30)

De 13 a 31 de outubro de 2026
Todos os dias, das 10h00 às 18h00
(bilheteria aberta até às 17h00)

De 1º de novembro a 20 de dezembro
Aberto de quinta-feira a domingo, das 10h00 às 17h00
(bilheteria aberta até às 16h00)

Località Madonna a Brolio, 53013 Gaiole In Chianti SI, Italia

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