Uma pequena região do sul da Itália voltou ao centro das relações entre Brasil e Itália nesta semana. O embaixador brasileiro em Roma, Renato Mosca De Souza, visitou a cidade de Isernia, no Molise, em uma agenda voltada ao fortalecimento de laços culturais, cooperação universitária e turismo das raízes, conceito que vem ganhando cada vez mais importância nas relações entre a Itália e as comunidades descendentes espalhadas pelo mundo.
A visita institucional foi destacada pelo portal italiano Primonumero.it e reuniu autoridades locais, representantes das forças de segurança, dirigentes universitários e membros da administração pública da região.
O encontro aconteceu na sede da Prefeitura de Isernia e teve como foco principal a construção de novas parcerias entre o Molise e o Brasil, especialmente nas áreas acadêmica, cultural e turística.
Um dos temas centrais da conversa foi justamente o chamado “turismo das raízes”, estratégia criada pela Itália para incentivar descendentes italianos a conhecerem as cidades de origem de suas famílias. Mais do que turismo tradicional, a proposta envolve viagens ligadas à memória familiar, genealogia, cultura local e reconexão com as próprias origens.
Nos últimos anos, o governo italiano passou a investir fortemente nesse modelo, especialmente em pequenas regiões historicamente marcadas pela emigração, como o Molise. Entre o fim do século XIX e o início do século XX, milhares de famílias deixaram essas áreas rumo ao Brasil, Argentina e Estados Unidos.
Hoje, muitos descendentes buscam exatamente esse reencontro com os territórios de onde partiram seus antepassados.
O tema possui também um significado pessoal para o próprio embaixador brasileiro, que possui origens molisanas. Durante o encontro, o prefeito de Isernia, Giuseppe Montella, lembrou que apenas na província de Isernia existem mais de 3 mil cidadãos italianos registrados oficialmente como residentes no Brasil, número que revela a profundidade histórica dessa conexão entre o território e a comunidade ítalo-brasileira.
A agenda incluiu ainda uma visita à Universidade do Molise, no campus de Pesche, onde o embaixador foi recebido pelo reitor Peter Vanòli e encontrou estudantes brasileiros que atualmente estudam na instituição.
A aproximação universitária aparece como outro eixo importante da relação entre Brasil e Itália, especialmente em regiões menores que buscam ampliar sua internacionalização e atrair intercâmbio acadêmico.
O roteiro passou também pelo Museu Nacional do Paleolítico de Isernia, um dos sítios arqueológicos mais importantes da Europa para o estudo da pré-história humana, além do centro histórico da cidade.
Mais do que uma simples visita diplomática, o encontro simboliza um movimento mais amplo que vem acontecendo em várias partes da Itália: pequenas regiões tentam fortalecer conexões internacionais usando história familiar, patrimônio cultural e identidade local como ferramentas de desenvolvimento turístico e econômico.
No caso do Molise, região muitas vezes pouco conhecida até pelos próprios italianos, o turismo das raízes se transformou em uma oportunidade estratégica para atrair visitantes interessados não apenas em monumentos famosos, mas em histórias familiares, vilarejos antigos e experiências ligadas à imigração italiana.
Para muitos brasileiros descendentes de italianos, viagens desse tipo acabam funcionando quase como uma reconstrução afetiva da própria história.
Embaixador do Brasil na Itália visita a região Molise e reforça turismo das raízes

