Belmonte Calabro, o vilarejo do tomate gigante: descubra o famoso Rei do verão calabrês
O tomate é um dos símbolos da culinária italiana e nunca falta em uma mesa italiana que se preze. Das saladas aos molhos, passando pelas conservas, são inúmeras as preparações que têm o tomate como protagonista. Além disso, existem diversas variedades de tomate: San Marzano, cereja, datterino, costoluto, coração-de-boi e piennolo. Cada uma possui características e sabores únicos.
Imagine que os maiores produtores mundiais de tomate são a China e os Estados Unidos. Na Europa, a Itália ocupa a segunda posição, atrás da Espanha. O Sul da Itália é a região do país onde a produção é mais intensa. E é justamente no Sul da Itália que encontramos uma pequena cidade conhecida como o vilarejo do tomate.
São muitos os lugares famosos pela produção dessa excelência gastronômica e, muitas vezes, algumas variedades recebem até mesmo o nome das cidades de origem. É o caso do Tomate de Pachino, na Sicília, e do San Marzano, cultivado na região de Sarno.
Mas o verdadeiro reino do tomate está na Calábria, mais precisamente em Belmonte Calabro. Essa pequena cidade medieval, situada sobre uma colina rochosa com vista para o mar, possui apenas 1.660 habitantes. O Tomate de Belmonte é famoso também pelo apelido de “Rei do verão calabrês”. Trata-se de um tomate muito grande, carnudo e saboroso, que pode ultrapassar facilmente um quilo de peso. Além disso, é o único tomate italiano que pode ostentar a marca De.Co. (Denominação Comunal). É amplamente utilizado na preparação de saladas graças à sua consistência e ao seu sabor delicado. Belmonte Calabro deve grande parte de sua fama justamente a essa extraordinária excelência gastronômica.
O Tomate de Belmonte foi incluído pelo Ministério das Políticas Agrícolas, Alimentares e Florestais da Itália na lista dos alimentos típicos da tradição enogastronômica calabresa. A província de Cosenza não é apenas a terra de origem dessa variedade, mas também responde por cerca de 70% de toda a produção.
O cultivo desse tomate reúne uma tradição profundamente enraizada no território. Ainda hoje, muitos agricultores de Belmonte Calabro realizam manualmente a seleção das sementes destinadas à produção das novas mudas, preservando um conhecimento agrícola transmitido de geração em geração.
Um exemplar do Tomate de Belmonte pode variar entre 400 e 600 gramas na variedade Coração-de-Boi, chegando a pesar entre 1 e 1,5 quilo na variedade Gigante. No passado, chegaram a ser colhidos frutos com impressionantes 3 quilos. A planta, de crescimento indeterminado, pode ultrapassar facilmente os dois metros de altura.
Quando maduro, o fruto apresenta uma delicada coloração rosa-clara, com tonalidades mais intensas na parte inferior, enquanto as nervuras permanecem quase sempre esverdeadas. Essas nervuras geralmente não são muito marcadas e se estendem do pedúnculo até a extremidade do fruto. Em alguns casos, porém, tornam-se mais evidentes, lembrando o tomate Marmande da região da Aquitânia, na França.
Seu formato típico é alongado, com um leve aspecto de gota e um característico alargamento central, muitas vezes acompanhado por uma protuberância evidente. Nessa configuração, lembra bastante a cultivar Coração-de-Boi. Entre suas principais qualidades estão a excelente conservação, a coloração característica e a consistência da polpa, que nunca apresenta acidez excessiva.
Segundo algumas hipóteses, essa variedade pode ter surgido de um cruzamento entre as cultivares Marmande e Coração-de-Boi, já que apresenta características intermediárias entre ambas. Mas existem outras delícias que podem ser descobertas e degustadas em Belmonte Calabro. Aqui são produzidos excelentes figos dottati, uma das culturas mais artesanais e tradicionais da Itália. Outro destaque é o famoso salame gammune, semelhante ao culatello e protegido pelo selo Presídio Slow Food. Belmonte Calabro também é uma terra de tradição vinícola.
Belmonte Calabro é conhecida ainda por seu encantador centro histórico, formado por vielas pitorescas que preservam uma forte identidade medieval. Um verdadeiro labirinto onde é agradável se perder e que presenteia os visitantes com vistas panorâmicas deslumbrantes.
Os apaixonados por arte e história não podem deixar de visitar a Collegiata de Santa Maria Assunta, construída no século XVIII, o Palazzo Pignatelli, erguido no início do século XVII, e as ruínas do antigo Castelo Angevino, datado de 1270.
Como chegar a Belmonte Calabro
De carro: Partindo do Norte da Itália, é possível percorrer a Autoestrada A2 “Autostrada del Mediterraneo” até a saída de Lagonegro e, em seguida, continuar pela Rodovia Estadual SS18 em direção ao sul. Como alternativa, pode-se seguir até a saída de Falerna e continuar pelas indicações para Belmonte Calabro.
Para quem vem do Sul, basta percorrer a A2 até a saída de Falerna e seguir pela SS18 em direção ao norte, acompanhando as placas para Amantea e Belmonte Calabro.
De avião: O aeroporto mais próximo é o de Lamezia Terme, localizado a menos de 40 quilômetros do vilarejo. A partir do terminal aéreo, é possível chegar a Belmonte Calabro em cerca de 30 minutos de carro, utilizando os serviços de aluguel de veículos disponíveis no aeroporto. Como alternativa, também é possível utilizar os trens e ônibus que partem da estação central de Lamezia Terme.
De trem: As estações ferroviárias mais próximas e melhor conectadas aos principais trens de média e longa distância são as de Amantea e Paola. A partir dessas cidades, é possível chegar a Belmonte Calabro utilizando os serviços de ônibus regionais ou táxis.
O município também conta com a Estação de Belmonte Calabro, atendida principalmente por trens regionais, representando uma opção prática para quem viaja pela costa do Mar Tirreno, na Calábria.


