Estamos acostumados a procurar os mistérios de Roma entre as ruínas dos Fóruns Imperiais, nos subterrâneos das basílicas ou sob os pisos das igrejas barrocas. No entanto, existe um lugar onde o fascínio não nasce da Antiguidade, mas da ideia de um futuro que Roma imaginou e que apenas em parte conseguiu realizar.
Com 53 metros de altura, ela não é um edifício, não é um monumento e tampouco uma torre panorâmica.
É um enorme cogumelo de concreto armado.
Todos o conhecem simplesmente como O Fungo.
Há quase setenta anos, ele é um dos símbolos mais curiosos do EUR, mas poucos conhecem sua verdadeira história: a de um reservatório de água transformado em um dos restaurantes panorâmicos mais exclusivos da capital italiana, sobrevivente até mesmo a um atentado durante os chamados Anos de Chumbo.
Para entender sua origem, precisamos voltar aos anos 1930.
O EUR nasceu em 1937 como um grande projeto urbanístico destinado a sediar a Exposição Universal de 1942, a famosa E42, idealizada pelo regime fascista para celebrar os vinte anos da Marcha sobre Roma e apresentar ao mundo a imagem de uma Itália moderna, poderosa e voltada para o futuro.
A Segunda Guerra Mundial, porém, impediu a realização da exposição e muitos edifícios permaneceram inacabados. Somente na década de 1950 o bairro voltou a ganhar vida, tornando-se um dos maiores laboratórios da arquitetura moderna italiana.
Foi nesse contexto que, em 1957, foi construída a torre-reservatório destinada a abastecer o sistema hídrico do EUR.
Sua estrutura é tão simples quanto engenhosa: oito grandes pilares que se dividem e voltam a se unir, como os galhos de uma árvore, sustentando um enorme reservatório de água. A característica forma em forma de cogumelo, que os romanos passaram imediatamente a chamar de Fungo, não foi uma escolha estética, mas sim a solução de engenharia mais eficiente para distribuir o peso da enorme caixa d’água.
Ainda hoje a estrutura continua em funcionamento e abastece as cascatas artificiais do lago do EUR.
Mas a verdadeira transformação aconteceu no início dos anos 1960.
O célebre tenor Mario Del Monaco, uma das maiores vozes da ópera do século XX e intérprete lendário de Otello, teve uma ideia tão inusitada quanto visionária: transformar o topo do reservatório em um restaurante panorâmico.
O projeto foi confiado ao arquiteto Lorenzo Monardo, que ampliou os espaços com elegantes janelas em balanço, oferecendo uma vista espetacular da cidade e o restaurante foi inaugurado em 20 de janeiro de 1964 com uma grande noite de gala e rapidamente se tornou um dos pontos mais sofisticados da vida social romana.
Ali era possível jantar a cinquenta metros de altura, admirando, em dias de céu limpo, uma paisagem que ia da Basílica de São Pedro até o litoral de Fiumicino, era um lugar único: elegante, surpreendente e profundamente romano, capaz de transformar uma simples infraestrutura técnica em um ícone da cidade.
Mas o Fungo também foi marcado pela história. Em setembro de 1978, em pleno período dos Anos de Chumbo e poucos meses após o sequestro e o assassinato de Aldo Moro, o bar localizado na base da torre foi alvo de um atentado de motivação política.
Três quilos de explosivos devastaram o local, que havia se tornado ponto de encontro de grupos da extrema-direita romana.
A explosão causou grandes danos, mas, felizmente, não deixou vítimas.
O restaurante permaneceu fechado durante vários anos.
Somente em 1990 a família Reggiani financiou a restauração completa do edifício, sob a coordenação dos arquitetos Di Giuseppe, Lenci e Manzoni. Após as obras, o restaurante voltou a receber o público e devolveu ao Fungo seu papel de um dos mais belos mirantes panorâmicos de Roma.
O cinema também se encantou por sua arquitetura singular.
No filme L’ultimo uomo della Terra, estrelado por Vincent Price, o Fungo aparece em uma Roma deserta e pós-apocalíptica.
Décadas depois, voltou às telas em Romanzo di una strage, onde o restaurante panorâmico serve de cenário para encontros discretos e conversas que deveriam permanecer em segredo.
Desde 2008, o Fungo integra a lista dos edifícios de relevante interesse arquitetônico, urbano e ambiental, sendo protegido pela Superintendência Capitolina.
Talvez essa seja sua maior conquista.
O que nasceu em 1957 como um simples reservatório de água transformou-se em um dos símbolos mais originais da arquitetura romana do século XX.
E ainda hoje é possível subir até o seu restaurante panorâmico, sentar-se à mesa e contemplar Roma de um ponto de vista absolutamente único: do alto de um gigantesco cogumelo de concreto armado, onde engenharia, arquitetura, história e elegância continuam convivendo acima da Cidade Eterna.

