Sul da Itália cresce mais que o Norte pelo quarto ano seguido

O mapa econômico italiano está mudando. Pelo quarto ano consecutivo, o Mezzogiorno — conjunto de regiões do Sul do país — registrou crescimento superior ao do Centro-Norte, um resultado que não era observado desde os anos do grande boom econômico do pós-guerra.

Segundo dados divulgados pela Svimez, associação especializada nos estudos sobre o desenvolvimento do Sul da Itália, o PIB das regiões meridionais avançou 0,7% em 2025, acima dos 0,5% registrados no Centro-Norte. Embora o ritmo tenha desacelerado em relação a 2024, quando o crescimento chegou a 1%, o resultado confirma uma tendência que vem se consolidando nos últimos anos.

Entre as regiões mais dinâmicas aparecem Campânia e Calábria, que lideraram a expansão do emprego e dos investimentos. O desempenho reforça uma mudança de narrativa em relação ao Sul italiano, historicamente associado a menor desenvolvimento econômico, desemprego mais elevado e forte dependência dos recursos públicos.

Boa parte dessa recuperação está ligada ao aumento dos investimentos em infraestrutura, construção civil e modernização produtiva impulsionados pelo Plano Nacional de Recuperação e Resiliência (PNRR), financiado com recursos europeus. Desde 2021, os investimentos se transformaram no principal motor da economia italiana e tiveram impacto particularmente forte nas regiões meridionais.

Os números ajudam a entender esse movimento. Entre 2022 e 2025, os investimentos em construção cresceram 48,6% no Sul, bem acima dos 34,3% registrados no Centro-Norte. O avanço beneficiou obras públicas, logística, energia e projetos de revitalização urbana.

O mercado de trabalho também apresentou resultados positivos. Pelo quinto ano consecutivo, o emprego cresceu mais rapidamente no Mezzogiorno do que no restante do país. A Calábria registrou alta de 3,8% no número de ocupados, enquanto a Campânia avançou 2,6%.

Outro dado relevante foi o crescimento da participação feminina. O emprego entre as mulheres aumentou 1,9% nas regiões do Sul, quase o dobro da expansão observada entre os homens. Além disso, cresceram os contratos permanentes e o trabalho em tempo integral, enquanto diminuíram os vínculos temporários e o chamado part-time involuntário.

Apesar dos avanços, nem tudo são boas notícias. A Svimez alerta que os jovens continuam encontrando dificuldades para ingressar e permanecer no mercado de trabalho. Enquanto o número de trabalhadores com mais de 50 anos aumentou, houve redução na ocupação entre os menores de 35 anos.

O estudo também lembra que a recuperação do Sul acontece dentro de um contexto de crescimento modesto da economia italiana. Em 2025, o PIB nacional avançou apenas 0,5%, bem abaixo da média da União Europeia, de 1,5%, e distante do ritmo registrado por países como a Espanha, que cresceu 2,8%.

Mesmo assim, o desempenho do Mezzogiorno representa uma das transformações econômicas mais relevantes da Itália contemporânea. Depois de décadas marcado pela emigração, pela desindustrialização e pela perda de oportunidades, o Sul volta a aparecer como uma das regiões mais dinâmicas do país e um dos principais destinos dos novos investimentos públicos e privados.

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