ter. fev 24th, 2026

O festival de Sanremo começa com música, emoção e a presença de Laura Pausini


Começa oficialmente nesta semana uma nova edição do Festival di Sanremo, o maior evento da música italiana. Realizado no tradicional Teatro Ariston, o festival mantém sua força cultural e econômica, com impacto estimado em 252 milhões de euros e milhões de espectadores diante da TV e nas plataformas digitais.

A edição deste ano começa marcada pela emoção. O diretor artístico e apresentador Carlo Conti dedica o festival a Pippo Baudo, lendário condutor que comandou 13 edições e morreu no ano passado. “Será o primeiro festival sem ele”, disse Conti, visivelmente comovido. O camarim foi batizado com o nome de Baudo e toda a edição traz referências ao mestre que, para muitos, inventou a figura do apresentador moderno na TV italiana.

Sanremo nasceu em 1951, poucos anos depois da proclamação da República Italiana. Hoje, enquanto o país celebra os 80 anos da República, o festival reafirma seu papel como espelho da sociedade. Já revelou artistas, atravessou mudanças culturais, acompanhou transformações políticas e sociais. Para os italianos, “Perché Sanremo è Sanremo” não é apenas um slogan. É identidade.

Os números ajudam a entender essa dimensão. Segundo dados apresentados pela emissora pública, a edição de 2026 deve gerar um impacto econômico de 252 milhões de euros. Nas redes sociais, o evento costuma ser mais comentado do que o Super Bowl. Marcas, gravadoras, plataformas digitais e instituições se articulam em torno de uma engrenagem que mistura cultura, entretenimento e negócios.

Mas reduzir Sanremo a cifras seria injusto. O festival é inclusivo, popular e democrático. Parte da cidade se transforma em palco aberto, com eventos paralelos e transmissões que extrapolam o teatro. É música, moda, debate, polêmica e emoção ao vivo.

Entre os momentos mais aguardados desta edição está a participação de Laura Pausini. Vencedora do festival em 1993 na categoria Novas Propostas, Laura construiu uma carreira internacional que a levou a cantar em espanhol, inglês e, claro, português. No Brasil, ela é praticamente da casa.

Sua presença em Sanremo tem peso simbólico. Representa a ponte entre a tradição italiana e o mercado global. Laura é prova viva de que o palco do Ariston pode lançar vozes para o mundo inteiro.

A conexão com o Brasil não é recente. Ao longo das décadas, artistas brasileiros já passaram pelo festival em participações especiais e duetos que aproximaram ainda mais os dois países, historicamente ligados pela imigração italiana.

Nomes como Gilberto Gil e Caetano Veloso já dividiram o palco em momentos especiais, levando a sonoridade da música brasileira ao público italiano. Toquinho, que construiu parte da carreira na Itália, também é figura recorrente nessa ponte cultural.

Além disso, duetos entre artistas italianos e brasileiros se tornaram estratégicos para ampliar o alcance internacional das canções, algo que dialoga com a forte comunidade ítalo-brasileira e com o carinho mútuo entre os dois países.

Sanremo é tradição, mas também reinvenção. É o jovem que torce por seu artista favorito e o avô que compara as canções atuais às de décadas passadas. É a discussão sobre figurinos, letras, discursos e votos. É a consagração e, às vezes, a polêmica.

Quando o apresentador desce as famosas escadarias do Ariston, o gesto carrega décadas de história. E, neste ano, carrega também a memória de Baudo, o “rei” que ajudou a transformar o festival no que ele é hoje.

Para os brasileiros que amam música italiana, acompanhar Sanremo é entender um pouco mais da alma do país. Porque, no fim das contas, a Itália pode mudar de governo, de moda ou de tendência. Mas em fevereiro, ela sempre canta.

Assista pela Rai 1 a partir das 20h40 (24 a 28/02/2026) ou acompanhe pela Rai Radio 2

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