Quem visita Roma normalmente chega atraído pelo Coliseu, pela Basílica de São Pedro ou pelas fontes barrocas espalhadas pelas ruas da capital italiana. Mas a cidade esconde outro patrimônio, muitas vezes silencioso e pouco conhecido pelos turistas: suas igrejas históricas, repletas de mosaicos, pinturas, criptas e séculos de espiritualidade.
É justamente esse universo que a Diocese de Roma quer aproximar do público com o projeto Oltre la soglia. A iniciativa pretende transformar a simples visita turística em uma experiência cultural e espiritual mais profunda, unindo arte sacra, tecnologia e percursos urbanos pela cidade.
O programa começa oficialmente no fim de maio com a participação inicial de 16 igrejas históricas, incluindo a Santa Maria ad Martyres, mais conhecida no mundo como o Pantheon. Ao todo, foram criados dez itinerários que atravessam tanto os grandes cartões-postais quanto regiões menos exploradas por turistas, como os bairros do Aventino e do Esquilino.
A proposta é oferecer ao visitante uma nova maneira de descobrir Roma. Em vez de entrar rapidamente em uma igreja apenas para tirar fotos, o projeto aposta em percursos guiados, conteúdos multimídia, audioguias, aplicativos e experiências culturais que ajudam a compreender o significado artístico e religioso desses lugares.
Alguns roteiros vão conectar monumentos históricos e igrejas emblemáticas da cidade. Um deles une a Basílica de São Pedro, a igreja de Santo Spirito in Sassia, a região do Castel Sant’Angelo e a antiga ponte sobre o rio Tibre. Outros permitirão acesso a áreas normalmente fechadas ao público e incluirão concertos de música sacra dentro das igrejas.
O projeto nasce também de uma preocupação concreta da Diocese: preservar e valorizar um patrimônio gigantesco que faz parte da identidade de Roma, mas que muitas vezes permanece à margem dos grandes fluxos turísticos. Em uma cidade onde praticamente cada esquina guarda séculos de história, a ideia é mostrar que as igrejas romanas não são apenas espaços religiosos, mas também museus vivos da arte italiana.
A iniciativa conta com apoio tecnológico da empresa Orpheo, especializada em soluções digitais para museus e centros culturais. Parte da renda arrecadada com os serviços oferecidos aos visitantes será destinada à manutenção das próprias igrejas.
Em uma Roma cada vez mais pressionada pelo turismo de massa, o projeto tenta propor um ritmo diferente: menos correria, mais contemplação — e a chance de descobrir uma cidade escondida atrás das portas de mármore que milhões de pessoas atravessam sem perceber o que existe “oltre la soglia”, além da porta.
Roma cria roteiros para revelar igrejas além dos circuitos turísticos

