Os pêssegos mais curiosos da Itália: da Tabacchiera ao pêssego do saquinho, uma viagem pelas variedades regionais

Com a chegada do verão, muitos amantes das frutas já ficam ansiosos para saborear um dos frutos mais refrescantes e saborosos da estação. A maioria das pessoas conhece apenas as duas variedades mais comuns, os pêssegos de polpa amarela e as nectarinas, facilmente encontradas em supermercados. Mas você sabia que a Itália abriga muitas outras variedades, algumas delas verdadeiras raridades?

Algumas são protegidas com sacos de papel durante o crescimento, outras chamam a atenção pelo formato achatado, enquanto há variedades com casca muito escura ou cultivadas por meio de técnicas tradicionais preservadas há gerações. Hoje vamos conhecer alguns dos pêssegos mais curiosos e especiais da Itália.

Pêssego de Volpedo, Piemonte

Essa variedade reúne diferentes ecótipos e pode apresentar polpa branca ou amarela. Suas características são resultado do microclima típico da região dos Apeninos e de um método de colheita que ainda hoje é realizado totalmente de forma manual. Os frutos não são colhidos todos ao mesmo tempo, mas apenas quando atingem o ponto ideal de maturação. O resultado é um pêssego de polpa aveludada, extremamente suculento e naturalmente doce. A casca é bastante delicada e, justamente para preservar sua qualidade, os frutos são acomodados e expostos apoiados sobre apenas um dos lados durante a conservação.

Pêssego Sanguíneo, Friuli-Venezia Giulia e Vêneto

Típico das regiões de Friuli-Venezia Giulia e do Vêneto, esse antigo cultivar amadurece no fim de setembro. Sua casca é opaca, espessa e bastante aveludada, mas a grande surpresa está na polpa, de uma intensa coloração vermelho-sangue. O sabor é marcante, aromático e levemente condimentado, com notas que lembram o vinho tinto, tornando essa uma das variedades de pêssego mais originais cultivadas na Itália.

Pêssego Buco Incavato, Emilia-Romagna

É uma variedade antiquíssima e nativa da Emilia-Romagna, cultivada exclusivamente na região entre Massa Lombarda e Cotignola e protegida pelo selo Slow Food. O nome deriva da característica cavidade formada na região onde o pedúnculo se liga ao fruto. A casca é fina e aveludada, com delicados tons esbranquiçados. A polpa é extremamente suculenta e apresenta um agradável equilíbrio entre doçura e acidez. Por ser muito delicado, o fruto é difícil de transportar e, por isso, raramente é encontrado nos mercados. Sua principal utilização é na produção de geleias e compotas artesanais.

Pêssego Regina di Londa, Toscana

A Regina di Londa é a variedade símbolo da região de Mugello e do Vale do Sieve, na Toscana. A colheita acontece no fim de setembro, mais tarde do que a maioria das outras variedades italianas. A casca apresenta tons branco-esverdeados, enquanto a polpa é firme e se desprende facilmente do caroço. Essas características fazem com que seja muito utilizada na produção de pêssegos em calda e em harmonizações com queijos.

Pêssego Mora di Moriano, Toscana

Continuando na Toscana, encontramos o Pêssego Mora di Moriano, facilmente reconhecido pela casca de coloração muito escura, próxima ao tom das amoras. No interior, a polpa é branca, extremamente aromática e naturalmente doce. É uma variedade bastante utilizada na preparação de doces caseiros, geleias e sobremesas tradicionais.

Percoca col Pizzo, Campânia

Descendo para o sul da Itália chegamos à Percoca col Pizzo, uma antiga variedade típica da Campânia, cultivada principalmente na área vulcânica dos Campi Flegrei. O nome faz referência ao formato do fruto, que apresenta uma pequena ponta na parte inferior, lembrando um “bico”. A casca possui um intenso tom amarelo com nuances alaranjadas, enquanto a polpa é amarela, firme e consistente. Tradicionalmente, essa variedade é utilizada no preparo da famosa percoca no vinho, uma das bebidas mais tradicionais do verão italiano.

Pêssego Tabacchiera, Sicília

Na Sicília, essa variedade também é conhecida como Saturnina. Ela cresce principalmente nas encostas do Monte Etna, entre Bronte e Adrano, e chama a atenção por seu formato achatado, muito diferente do formato arredondado dos pêssegos tradicionais. A polpa é clara, quase branca, extremamente doce e aromática, enquanto o caroço é pequeno e achatado. Embora tenha origem na China, foi na Sicília que essa variedade encontrou as condições ideais para desenvolver aromas intensos e delicadas notas florais, tornando-se uma das frutas mais emblemáticas da ilha.

Pêssego do saquinho, Sicília

Entre as especialidades da Sicília destaca-se também um pêssego realmente único. Para conhecê-lo é preciso seguir até o interior da província de Enna, onde é cultivada uma variedade que se diferencia não apenas pelos seus ecótipos — Bianco e Giallone —, mas principalmente pelo seu método tradicional de cultivo.

A partir do mês de junho, quando os frutos atingem aproximadamente o tamanho de uma noz, cada pêssego é envolvido manualmente ainda na árvore com um saco de papel vegetal. Essa técnica tradicional protege naturalmente os frutos contra insetos, pragas e ventos, eliminando a necessidade do uso de pesticidas. Crescendo protegidos da luz direta do sol, os pêssegos mantêm uma casca de delicado tom amarelo-claro, sem as tradicionais manchas avermelhadas.

Outra característica marcante é a maturação extremamente tardia, que se estende até o mês de novembro. A polpa, de intenso tom amarelo, é firme, crocante e muito doce, qualidades que tornam essa variedade ideal tanto para o consumo in natura quanto para a produção dos tradicionais pêssegos em calda.

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