Veneza avalia cobrar até €30 de turistas para conter o overtourism

A ideia não é transformar os €30 em uma tarifa fixa. Segundo Venturini, o valor funcionaria como um teto para os dias considerados críticos, enquanto a cobrança atual continuaria sendo aplicada nos demais períodos. Para que isso seja possível, porém, será necessária uma mudança na legislação italiana, já que as regras atuais limitam o contributo di accesso a €10. O prefeito afirma que a questão já foi levada ao governo em Roma.
O sistema atualmente funciona de maneira diferente. Em 2026, Veneza aplicou a cobrança em 60 dias não consecutivos, entre 3 de abril e 26 de julho, sempre das 8h30 às 16h. O valor foi de €5 para quem fez o pagamento antecipadamente e de €10 para quem deixou para os quatro dias anteriores à visita.
Os resultados da experiência ajudam a explicar a discussão sobre uma tarifa mais elevada. Segundo os dados provisórios divulgados pela Prefeitura de Veneza, foram emitidos 679.553 vouchers pagos, com uma arrecadação de €5,215 milhões. O município também registrou uma redução de 32,3% na média diária de vouchers em comparação com 2024 e uma diminuição da frequência dos dias com maiores picos de visitantes.
A cobrança, entretanto, não funciona como um sistema de limite de entrada. O próprio município afirma que o objetivo é utilizar o mecanismo para conhecer, programar e administrar os fluxos turísticos, além de estimular os visitantes a reservar a visita com antecedência.
É justamente nesse ponto que entra a proposta dos €30. Para a administração municipal, uma diferença maior de preço nos dias de maior procura poderia incentivar parte dos turistas de um dia a escolher datas menos movimentadas ou até permanecer mais tempo na região. O modelo é voltado principalmente ao chamado turismo de “bate e volta”, formado por pessoas que chegam a Veneza durante o dia e deixam a cidade sem passar a noite.
Quem se hospeda em Veneza não está sujeito ao pagamento da mesma forma, já que o mecanismo foi concebido especificamente para os visitantes diários. Também existem outras categorias isentas ou excluídas segundo as regras municipais.
A proposta também abre uma discussão sobre o que fazer com o dinheiro arrecadado. Venturini afirmou ao Quotidiano Nazionale que uma eventual tarifa de até €30 poderia ser acompanhada de descontos em museus, serviços públicos, como banheiros, ou compras de produtos oficiais da cidade. A cobrança, nesse cenário, deixaria de ser apenas uma taxa de acesso e poderia funcionar também como parte de uma política de gestão da experiência turística.
Veneza vem tentando encontrar esse equilíbrio entre receber milhões de visitantes e preservar a vida cotidiana de uma cidade particularmente vulnerável à pressão turística. O município considera o contributo di accesso uma ferramenta para administrar os fluxos, enquanto críticos da medida questionam sua capacidade de produzir mudanças estruturais no planejamento turístico.
Por enquanto, €30 ainda não é o preço de entrada em Veneza. Trata-se de uma proposta que depende de uma alteração do quadro legal nacional. A experiência de 2026 terminou com a tarifa máxima de €10 e, segundo a Prefeitura, os dados serão utilizados para aperfeiçoar o sistema nas próximas edições.
