E se a próxima viagem à Itália começasse não por Roma, Veneza ou Milão, mas pela história da própria família? É a pergunta que está por trás da Origine Italia, projeto criado no Vêneto pela ítalo-brasileira Ariela Tamagno, que propõe uma maneira diferente de conhecer a região: menos focada nos cartões-postais e mais conectada ao território, à cultura e às origens dos viajantes.

Fundadora da TMG Cidadania Italiana e especialista em mobilidade internacional, Ariela criou a iniciativa a partir da própria ligação com a Itália e da percepção de que muitos brasileiros descendentes de italianos procuram algo além de uma viagem convencional. A proposta combina turismo slow, montanhas, aldeias, gastronomia, vinhos, lagos, patrimônio histórico e memória familiar em experiências planejadas de acordo com o perfil de cada grupo.

O primeiro grupo da Origine Italia já foi realizado e reuniu descendentes de italianos que partiram de Marau, no Rio Grande do Sul, para conhecer a região de origem de suas famílias. O projeto pretende justamente transformar esse tipo de viagem em uma experiência de pertencimento, permitindo que os visitantes não apenas conheçam o Vêneto, mas também entendam melhor a história que conecta a região à formação de comunidades italianas no Brasil.

O Vêneto tem um peso especial nessa história. A região esteve entre as principais áreas de origem da imigração italiana para o Brasil no final do século XIX, quando milhares de famílias deixaram a Itália e se estabeleceram principalmente no Sul do país.

A proposta da Origine Italia é levar essa memória para dentro da experiência turística. Em vez de um roteiro fechado, a viagem pode ser construída em torno dos interesses de cada visitante: uma família pode buscar informações sobre seus antepassados e conhecer aldeias ligadas à sua história; um casal pode preferir gastronomia, vinhos e hospedagens em meio à natureza; pequenos grupos podem combinar patrimônio, experiências artesanais e atividades de bem-estar.

A curadoria das experiências na região dos Pré-Alpes vicentinos fica a cargo da brasileira Gizely Dall’Agnol, que vive há dez anos na área. O território reúne montanhas, pequenos vilarejos e paisagens que mudam completamente ao longo do ano. No inverno, a neve e os esportes de montanha ganham espaço; na primavera, aparecem as paisagens floridas; no outono, as florestas assumem novas cores. Nas Dolomitas, um dos fenômenos naturais mais conhecidos é a Enrosadira, quando os picos adquirem tonalidades rosadas e avermelhadas ao pôr do sol.

A gastronomia é outro elemento central. O Vêneto está entre as grandes regiões produtoras de vinho da Itália e é associado a denominações conhecidas internacionalmente, como Prosecco, Valpolicella, Amarone, Bardolino e Recioto. Vinícolas, produtos locais, restaurantes e pequenas comunidades podem, assim, fazer parte de roteiros que combinam sabores e território.

A Origine Italia também pretende atender viajantes sem ascendência italiana direta, mas interessados em conhecer o Vêneto de maneira mais próxima da vida local. A ideia é criar experiências para casais, famílias, pequenos grupos e pessoas que valorizam viagens personalizadas e procuram alternativas aos circuitos mais tradicionais.

Com operação no Vêneto, concierge personalizada e uma rede de parceiros locais, o projeto trabalha com roteiros individuais que podem incluir visitas a vinícolas e vilas históricas, experiências gastronômicas, atividades artesanais, patrimônio cultural e atividades relacionadas à memória familiar.

No centro da proposta está a tentativa de transformar uma viagem à Itália em algo que ultrapasse a fotografia diante de um monumento. Para os descendentes de italianos, o território pode funcionar como uma espécie de ponte entre duas histórias: a da família que deixou a Itália e a das gerações que construíram uma nova vida no Brasil.

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