Sul da Italia perde 313 mil jovens em seis anos: cresce fuga de graduados e talentos

O Sul da Itália continua registrando sinais de crescimento econômico acima da média nacional em alguns indicadores, mas enfrenta um desafio que preocupa economistas, demógrafos e gestores públicos: a saída contínua de jovens.

Dados analisados pelo il Sole 24 Ore a partir de estatísticas do Istat mostram que, entre 2019 e 2026, o Mezzogiorno perdeu 313 mil moradores com idade entre 18 e 35 anos, uma queda de 7,6%. No mesmo período, o Norte do país registrou aumento de 4,8% nessa faixa etária.

O fenômeno não é novo. Há décadas, regiões do Sul italiano convivem com a migração de estudantes e trabalhadores em direção aos polos econômicos mais dinâmicos do país. No entanto, os números mais recentes mostram que a tendência continua forte e assume características cada vez mais estruturais.

Segundo os dados, a população jovem residente nas regiões meridionais passou de pouco mais de 4,1 milhões para cerca de 3,8 milhões de pessoas em apenas seis anos. Enquanto isso, o Norte ganhou quase 240 mil jovens, reforçando sua capacidade de atrair mão de obra qualificada, estudantes universitários e profissionais em busca de melhores oportunidades.

O impacto vai além da simples redução populacional. Cada vez mais, quem deixa o Sul possui alta qualificação. Estudos da Svimez, associação dedicada ao desenvolvimento do Mezzogiorno, indicam que quase um milhão de jovens com menos de 35 anos migraram do Sul para o Centro-Norte entre 2002 e 2024. Mais de um terço possuía diploma universitário.

A chamada “fuga de cérebros” tornou-se um dos principais desafios da região. Se no início dos anos 2000 os graduados representavam menos de 20% dos jovens que migravam, atualmente eles se aproximam de 60% do total. O resultado é uma perda progressiva de capital humano justamente nos territórios que mais necessitam de inovação, empreendedorismo e renovação demográfica.

O mapa provincial revela a dimensão do fenômeno. Entre as áreas que mais perderam jovens aparecem Sul Sardegna, Isernia, Oristano, Crotone, Potenza e Reggio Calabria. No sentido oposto, cidades e províncias do Norte como Gorizia, Genova, Bolonha, Pavia e Reggio Emilia ampliaram sua população jovem graças à presença de universidades, indústrias e mercados de trabalho mais dinâmicos.

Especialistas destacam que a questão não se resume aos salários. Pesam também fatores como acesso à pesquisa, perspectivas de carreira, infraestrutura, oferta cultural e qualidade dos serviços públicos. Em muitos casos, jovens que deixam o Sul para cursar a universidade acabam construindo a vida profissional em outras regiões e não retornam.

O quadro se torna ainda mais complexo porque o Mezzogiorno enfrenta um duplo desafio. Além das migrações internas, também registra saldo negativo na movimentação internacional de jovens qualificados. Em 2024, cerca de 22 mil graduados entre 25 e 34 anos deixaram o Sul rumo ao Centro-Norte, enquanto apenas 6 mil fizeram o caminho inverso.

Em um país que envelhece rapidamente e enfrenta uma das menores taxas de natalidade da Europa, a concentração de jovens e talentos em determinadas regiões tende a ampliar os desequilíbrios territoriais. Para muitos analistas, a capacidade de criar empregos qualificados e oportunidades de desenvolvimento no Sul será decisiva não apenas para o futuro do Mezzogiorno, mas para a competitividade da Itália como um todo.

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