Roma se transforma: o verão de 2026 da Galleria Borghese coloca em cena as Metamorfoses de Ovídio

Entre as grandes exposições que marcarão o verão cultural romano de 2026, uma das mais aguardadas é, sem dúvida, “Metamorfosi. Ovidio e le arti”, em cartaz na Galleria Borghese de 23 de junho a 20 de setembro de 2026. Um projeto internacional realizado em colaboração com o Rijksmuseum, que levará a Roma mais de oitenta obras-primas provenientes de museus e coleções de todo o mundo.

Entrar na Galleria Borghese durante esta exposição será como atravessar um universo em constante movimento, onde nada permanece imutável e toda forma está destinada a se transformar. No centro do percurso expositivo estão as célebres Metamorfoses de Publio Ovidio Nasone, o grande poema que há mais de dois mil anos alimenta a imaginação da arte ocidental com suas histórias de deuses, ninfas, heróis e criaturas suspensas entre desejo, paixão, punição e renascimento.

A exposição colocará em diálogo diferentes épocas, linguagens e sensibilidades por meio de obras de Tiziano Vecellio, Michelangelo Merisi da Caravaggio, Antonio Allegri da Correggio, Peter Paul Rubens, Auguste Rodin e Constantin Brâncuși. Ao lado dos grandes mestres da pintura e da escultura, estarão também presentes obras modernas e contemporâneas que demonstram como o tema da transformação continua a inspirar artistas e públicos até os dias de hoje.

Mas o verdadeiro protagonista será o diálogo entre as obras e os próprios espaços da Galleria Borghese. Aqui, o mito não é apenas um tema expositivo: ele faz parte da arquitetura, das decorações e da visão cultural que o cardeal Scipione Borghese imaginou para sua villa. As salas que abrigam obras-primas como o Apollo e Dafne parecem ter sido criadas para acolher os relatos de Ovídio, onde o corpo humano se funde com a natureza e o mármore parece transformar-se diante dos olhos do visitante.

O percurso promete ser muito mais do que uma simples exposição de obras extraordinárias. Será uma viagem pela fragilidade das formas e pela instabilidade da existência, uma narrativa visual que atravessa séculos de arte para mostrar como a mudança é a própria condição da vida. Homens que se tornam pedra, mulheres que se transformam em árvores, divindades que assumem formas animais: as histórias de Ovídio surgem como metáforas atemporais, capazes de falar ainda hoje sobre identidade, desejo e transformação.

Na luz do verão romano, entre os mármores, afrescos e jardins da Villa Borghese, esta exposição se anuncia como um dos eventos culturais mais fascinantes de 2026: um encontro entre literatura, mito e arte, onde o passado continua a mudar, exatamente como nas páginas imortais de Ovídio.

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