sex. fev 13th, 2026

Roma é personagem: a cidade que fala nas séries de TV

Roma jamais aceitou o papel de figurante. Nas grandes produções filmadas na Cidade Eterna, ela não se limita a emoldurar a ação; ela a tensiona. 

Esta série propõe um percurso pelas grandes obras filmadas na Cidade Eterna, observando como diretores e roteiristas transformaram sua paisagem histórica em elemento ativo de narrativa.

Ao longo dos episódios, o foco não estará apenas nas histórias contadas, mas na forma como Roma participa delas. Seus bairros, suas praças e seus edifícios não operam como decoração: moldam atmosferas, sugerem conflitos, ampliam significados. Entre ruínas imperiais e palácios barrocos, entre o sagrado e o cotidiano, a cidade constrói um diálogo constante entre passado e presente.

Quando bem filmada, Roma influencia o ritmo, a luz e até a psicologia dos personagens. Sua monumentalidade pode acentuar solidões; seus espaços fechados podem intensificar tensões; sua memória histórica frequentemente projeta sobre as tramas uma dimensão moral ou simbólica. Não se trata apenas de localização geográfica, mas de uma presença que interfere, enquadra e, por vezes, redefine o sentido da narrativa.

É sob essa perspectiva que iniciamos esta série: examinando produções nas quais Roma deixa de ser apenas o lugar onde a ação acontece para tornar-se parte integrante da própria construção dramática.

Roma e a série tv #1 – Angels in America (2003)

Direção: Mike Nichols
Elenco principal: Al Pacino, Meryl Streep, Emma Thompson, Justin Kirk
Ano: 2003
Locais em Roma: Roma histórica, Vaticano (cenas ambientadas), Estúdios Cinecittà

Onde assistir: Prime Video

Em Angels in America, Roma aparece como um espaço simbólico e moral, mais do que como um lugar narrativo contínuo. As sequências ambientadas na Capital, especialmente as ligadas ao Vaticano, evocam o peso da instituição, da tradição e da autoridade religiosa. Roma não é uma cidade vivida, mas uma presença ideológica, a representação de um poder antigo que observa o drama humano sem intervir. Inserida em uma narrativa profundamente americana, a Capital europeia torna-se um contraponto universal: lugar da consciência, da culpa e da história, chamado a dialogar com as crises pessoais e coletivas narradas pela minissérie.

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