Roma abre novo espaço nas Termas de Trajano com arte romana inédita

Roma ganhou um novo espaço museológico no alto do Colle Oppio, uma das áreas arqueológicas mais importantes da capital italiana. A partir de setembro, visitantes poderão conhecer de perto ambientes subterrâneos das Termas de Trajano e duas importantes obras decorativas romanas, a Città Dipinta, um afresco do século I d.C., e o chamado Grande Mosaico, depois de um amplo trabalho de restauração e valorização. A intervenção foi realizada no âmbito do programa PNRR Caput Mundi, voltado à recuperação do patrimônio cultural e turístico de Roma.

O novo percurso fica entre a grande exedra das Termas de Trajano e a galeria subterrânea que atravessa uma parte menos conhecida do complexo arqueológico. É justamente no subsolo que estão algumas das descobertas que ajudam a reconstruir a história do local e mostram como diferentes épocas da cidade se sobrepõem no mesmo espaço.

As Termas de Trajano foram inauguradas em 109 d.C., durante o governo do imperador Trajano, e projetadas pelo arquiteto Apolodoro de Damasco. O complexo ocupava mais de seis hectares e estava entre os maiores conjuntos termais do mundo romano. Mas não era apenas um lugar destinado aos banhos: o projeto reunia áreas para exercícios físicos, lazer, passeios e atividades culturais.

Essa característica também aparece na monumental exedra sudoeste, uma estrutura semicircular com cerca de 30 metros de diâmetro. Suas numerosas nichos são interpretados como espaços destinados a armários para livros e documentos, indicando que as termas também funcionavam como um lugar de circulação de conhecimento.

O que torna a nova área particularmente interessante, porém, está abaixo do nível das antigas termas. As escavações realizadas na região da antiga Polveriera Pontificia revelaram uma galeria subterrânea e estruturas anteriores à construção do complexo de Trajano. Parte desses vestígios é associada por alguns estudiosos à Domus Aurea, o gigantesco palácio construído pelo imperador Nero, enquanto outras interpretações os situam em uma fase posterior, mas ainda anterior às termas.

A chamada Città Dipinta é um dos achados mais impressionantes. Trata-se de um afresco de aproximadamente dez metros quadrados, datado do século I d.C., que representa uma paisagem urbana e constitui uma das peças de maior interesse do novo percurso. Ao lado dela está o Grande Mosaico, uma extensa decoração parietal organizada em diferentes registros.

As duas obras passaram por restauração e agora podem ser observadas dentro de um percurso preparado para receber visitantes. O projeto também criou uma nova passarela para circulação, uma área de acolhimento e uma livraria, além de um espaço dedicado às fistulae, as antigas tubulações de chumbo utilizadas no sistema hidráulico romano.

A intervenção incluiu ainda iluminação, áreas verdes, assentos em formato de arquibancada e recursos didáticos para ajudar o público a entender as diferentes fases de ocupação do local. A ideia é permitir que a visita não seja apenas uma observação de ruínas, mas uma leitura das várias camadas que formaram aquela parte de Roma ao longo dos séculos.

O trabalho faz parte de uma série de intervenções realizadas no Colle Oppio com recursos do programa Caput Mundi. O parque histórico da região também passou recentemente por obras de restauração, incluindo fontes, acessos monumentais e estruturas relacionadas ao antigo sistema de abastecimento de água.

A abertura das Termas de Trajano ao público começa de forma experimental em 12 de setembro, com visitas guiadas gratuitas e grupos reduzidos, uma escolha relacionada à necessidade de acompanhar o impacto da presença de visitantes sobre estruturas e obras particularmente delicadas. A partir de outubro, o percurso poderá ser visitado de sexta-feira a domingo, de 10h a 15h, com limite de 15 pessoas por horário e necessidade de reserva.

O novo espaço acrescenta, assim, mais uma possibilidade para quem visita Roma além dos grandes monumentos conhecidos. No Colle Oppio, a poucos passos do Coliseu, a cidade permite agora entrar em uma parte subterrânea das antigas termas e observar diretamente vestígios que ajudam a contar uma história muito mais longa do que a do próprio complexo de Trajano.
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