Pompeia revive Dioniso em noites de teatro entre ruínas e descobertas

O projeto, chamado “Ecstatic Pompeii – I misteri di Dionysos”, integra a segunda edição do festival Esopop, storie in festival, promovido pelo Parque Arqueológico de Pompeia. As apresentações acontecerão às sextas e aos sábados, de 28 de agosto a 26 de setembro, aproveitando também as aberturas noturnas dos sítios arqueológicos.
A ideia é fazer com que a arqueologia deixe por algumas horas o formato tradicional de exposição e ganhe movimento dentro das próprias paisagens onde a história aconteceu. O ponto de partida é Dioniso, figura central do imaginário religioso antigo e ligado ao vinho, ao êxtase, à transformação e às festas.
A programação atravessa diferentes locais da região do Vesúvio. A estreia será em 28 de agosto, na Villa de Poppea, em Oplontis, seguida, no dia 29, por uma apresentação na Villa dos Mistérios, em Pompeia. O espetáculo Semele. La verità è un fuoco, de Rosario Sparno, abre a programação.
As histórias vêm sobretudo do universo das Bacantes, de Eurípides. Dioniso, Semele, Tirésias e Penteu aparecem entre as ruínas em uma releitura contemporânea que procura aproximar o público dos personagens e dos conflitos presentes na antiga tragédia grega.
O projeto também amplia a experiência para outros sítios arqueológicos, incluindo Boscoreale e Stabia, criando uma espécie de percurso teatral pelo território vesuviano. A intenção é conectar lugares diferentes por meio de uma mesma narrativa e mostrar que a herança arqueológica da região não termina nos limites de Pompeia.
As produções são realizadas pela Casa del Contemporaneo, com textos e direção de Rosario Sparno e Fabio Cocifoglia. Os figurinos fazem parte das coleções do florentino Filippo Giorgi e foram incorporados ao projeto em colaboração com a Sanctamuerte.
A escolha de Dioniso também cria uma ponte particularmente sugestiva com a própria vida cotidiana da Antiguidade. O deus ocupava um lugar importante no imaginário mediterrâneo e sua presença estava associada não apenas à religião, mas também ao vinho, ao teatro e às celebrações coletivas.
Em Pompeia, onde os vestígios preservados permitem reconstruir aspectos muito íntimos da sociedade romana, novas descobertas continuam acrescentando detalhes a esse universo.
Nos últimos anos, o próprio sítio arqueológico vem mostrando como ainda há muito a descobrir. A pesquisa arqueológica revelou casas, inscrições, espaços religiosos e objetos capazes de modificar o que se conhecia sobre a cidade soterrada pelo Vesúvio.
Agora, a operação é inversa: em vez de uma nova descoberta revelar o passado, o passado serve de matéria-prima para uma experiência artística contemporânea. Durante algumas noites do verão italiano, as ruínas deixam de ser apenas o cenário silencioso de uma visita e passam a receber novamente vozes, personagens e histórias.
É uma maneira diferente de olhar para Pompeia: não apenas como uma cidade interrompida há quase dois mil anos, mas como um patrimônio que continua produzindo novas histórias no presente.
