Encerra-se hoje, 19 de junho, na Fortezza da Basso, em Florença, a 110ª edição da Pitti Uomo, o principal evento internacional dedicado à moda masculina. Durante quatro dias, a capital da Toscana voltou a ser o centro do menswear mundial, reunindo mais de 720 marcas, quase metade delas provenientes do exterior, em um momento particularmente delicado para o setor da moda internacional.
A edição de 2026 foi marcada pelo tema “The Pitti Pool”, uma grande metáfora da contemporaneidade. A piscina tornou-se o símbolo de uma moda em constante transformação, fluida, aberta às contaminações e capaz de colocar em diálogo culturas, linguagens e gerações diferentes. Uma mensagem que atravessou toda a manifestação, das instalações artísticas às coleções apresentadas nos pavilhões.
Entre os estandes e os eventos especiais, surgiu uma direção clara: o retorno da elegância. Não aquela rígida e formal do passado, mas uma nova elegância descontraída, construída com peças leves, tecidos naturais, silhuetas mais suaves e uma atenção crescente à qualidade e à durabilidade dos produtos. A alfaiataria continua sendo o coração do guarda-roupa masculino, mas abre-se cada vez mais ao conforto e à funcionalidade.
Grande atenção foi dedicada aos convidados internacionais. A principal protagonista foi a estilista irlandesa Simone Rocha, que escolheu Florença para apresentar sua primeira coleção inteiramente dedicada ao universo masculino. No histórico Teatro della Pergola, ela levou para a passarela uma visão poética e contemporânea da moda masculina, combinando romantismo, alfaiataria e referências culturais que sempre caracterizaram seu trabalho.
Ao seu lado destacaram-se o japonês Kei Ninomiya, com uma proposta que reinterpretou a estética punk por meio de materiais inovadores e silhuetas experimentais, e o sul-coreano JiyongKim, uma das vozes emergentes mais interessantes do panorama asiático contemporâneo. A presença de ambos confirmou a crescente influência da criatividade oriental na moda global.
Também o street style, há muito tempo um dos elementos mais característicos da Pitti Uomo, revelou muito sobre as tendências que veremos nos próximos meses. Ternos desestruturados, calças amplas, malharia sofisticada, acessórios refinados e uma paleta cromática que alterna tons neutros e cores mais vibrantes dominaram as ruas ao redor da Fortezza. Florença confirmou mais uma vez seu papel de laboratório a céu aberto para observar a evolução do estilo masculino contemporâneo.
No plano econômico, o salão representou um importante sinal de confiança para o setor. Em um contexto marcado pela desaceleração do consumo e pelas dificuldades do varejo internacional, a Pitti Uomo continuou desempenhando seu papel de plataforma estratégica para compradores, empresas e profissionais da indústria vindos de todas as partes do mundo.
Ao final desta edição, fica a impressão de uma moda masculina que atravessa um momento de profunda reflexão. Menos orientada aos excessos e às tendências passageiras, e mais atenta à identidade, à qualidade e à construção de um guarda-roupa destinado a durar ao longo do tempo. Mais uma vez, Florença demonstrou ser o lugar onde o futuro da elegância masculina ganha forma antes de chegar às passarelas e às vitrines do mundo inteiro.

