Parmigiano Reggiano falso é retirado de feira internacional em Paris

A proteção de um dos queijos mais tradicionais da Itália voltou ao centro das atenções durante a SIAL 2026, uma das maiores feiras internacionais de alimentos e bebidas, realizada em Paris. O Consórcio do Parmigiano Reggiano identificou produtos que utilizavam indevidamente referências ao queijo italiano e solicitou a intervenção das autoridades francesas. Como resultado, seis produtos considerados irregulares foram retirados da exposição aberta ao público.

A fiscalização identificou diferentes casos de possível uso indevido da denominação, incluindo queijos e alimentos industrializados que apresentavam a palavra “Parmesan” no nome ou na descrição dos ingredientes. Entre os produtos denunciados estavam molhos produzidos nos Estados Unidos e no Egito que mencionavam o queijo, mas não continham Parmigiano Reggiano.

A autoridade francesa responsável pela proteção dos consumidores também examinou outros dois produtos. Nesse caso, verificou que eles utilizavam efetivamente o queijo italiano como ingrediente, não sendo necessária a retirada por esse motivo. As informações foram divulgadas pelo próprio Consórcio do Parmigiano Reggiano em comunicado publicado em 26 de outubro de 2026.

Por que o nome Parmesan é motivo de disputa?

A questão vai além da semelhança entre produtos. O Parmigiano Reggiano possui uma Denominação de Origem Protegida (DOP), sistema europeu que vincula um alimento a uma área geográfica específica e a regras de produção determinadas.

Na União Europeia, o termo “Parmesan” é considerado uma evocação da denominação protegida Parmigiano Reggiano e não pode ser utilizado livremente para identificar queijos que não respeitem as exigências da DOP. Esse entendimento foi confirmado pelo Tribunal de Justiça da União Europeia em uma decisão de 2008.

A proteção busca preservar a autenticidade do produto e evitar que consumidores comprem alimentos que aparentem ter origem ou características que, na realidade, não possuem. O sistema europeu de indicações geográficas também abrange outros produtos tradicionais, como vinhos, azeites e especialidades regionais.

Mercado de imitações movimenta bilhões

Segundo estimativas do Consórcio, o mercado de imitações do Parmigiano Reggiano fora da União Europeia movimenta mais de € 2 bilhões e corresponde a aproximadamente 200 mil toneladas de produtos por ano. Esse volume equivale a quase três vezes a quantidade de Parmigiano Reggiano exportada.

A dimensão do mercado evidencia o desafio enfrentado pelos produtores italianos para proteger a reputação de seus alimentos em países com regras diferentes das europeias. Fora da União Europeia, o nível de proteção varia conforme a legislação nacional e os acordos internacionais aplicáveis.

Para o consumidor, a diferença não está apenas no nome. O Parmigiano Reggiano autêntico é produzido em uma área delimitada do norte da Itália, seguindo regras específicas para ingredientes, alimentação dos animais, processamento e maturação. Produtos que imitam sua aparência ou utilizam denominações semelhantes podem ter composição, origem e métodos de fabricação diferentes.

O que isso significa para os consumidores brasileiros?

No Brasil, onde os queijos italianos fazem parte do mercado de produtos importados e da gastronomia, a questão da autenticidade também merece atenção. A presença de palavras como “parmesão” ou “tipo parmesão” na embalagem não significa, por si só, que o produto seja o Parmigiano Reggiano protegido pela denominação europeia.

Quem procura o queijo original deve verificar a identificação do produto, sua procedência e as informações presentes na embalagem. Também é importante distinguir um alimento importado com denominação protegida de um queijo nacional produzido segundo outras regras e comercializado com uma descrição genérica permitida pela legislação aplicável.

A operação na SIAL mostra que a defesa das indicações geográficas depende tanto da fiscalização quanto da informação ao consumidor. Para o Consórcio, o próximo desafio é ampliar a proteção nos mercados internacionais e evitar que produtos que não correspondam às especificações utilizem nomes associados à tradição italiana.

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