Meu retorno à Toscana – Parte 5: A Florença que resiste: descobrindo a histórica Trattoria La Grotta Parri

Caríssimos leitores do Jornal Italia, chegamos ao quinto encontro da minha coluna.
Hoje quero falar sobre uma volta ao passado, sobre uma Florença ainda genuína, autêntica, distante do overtourism, do caos e das franquias caça-turistas que hoje ocupam grande parte do centro histórico.
Vou contar a vocês a minha experiência na Trattoria La Grotta Parri, aberta desde o distante ano de 1948 e ainda hoje administrada com orgulho pela família Parri.

A Grotta Parri preserva a atmosfera das trattorias de antigamente: comida genuína preparada diariamente, atendimento familiar, simplicidade e aquele calor humano que parece pertencer a outra época.
Não por acaso, este estabelecimento faz parte das históricas trattorias florentinas, reconhecidas oficialmente pelo seu valor e pela sua longa tradição.


Quem recebe os clientes é Lorenzo Parri e seu babbo (como os florentinos chamam carinhosamente o pai) , um grande amigo dos meus tempos de escola, que continuam levando adiante o negócio da família com dedicação e orgulho. Lorenzo é um verdadeiro florentino, profundamente ligado à sua cidade e um apaixonado torcedor da Fiorentina.
Os clientes são, em sua maioria, frequentadores habituais, quase todos florentinos. Os turistas são poucos e, confesso, isso me deixa feliz.


Nós, florentinos, sempre convivemos com o turismo. Hoje, porém, o turismo tornou-se de massa e sentimos a necessidade de preservar lugares que ainda sejam nossos, onde possamos comer pratos preparados como antigamente e reencontrar a Florença mais autêntica.
A particularidade da Grotta Parri, além da pequena sala à direita logo após a entrada, é a maravilhosa sala subterrânea.
Ali, as paredes contam a história da cidade através de palavras do dialeto florentino, fotografias, recordações e artigos dedicados à Fiorentina.
O cardápio é simples, sincero e sem sofisticações desnecessárias. Todos os dias alguns pratos mudam, ao lado das especialidades fixas da casa. O vinho e o azeite são produzidos pela própria família Parri.
Para mim, observar aquele cardápio foi um verdadeiro mergulho no passado.
Crostini mistos toscanos, sopa de feijão à florentina, tagliatelle ao molho de Chianina.
Entre os pratos principais encontramos rosbife, arista de Cinta Senese, peito de frango, bisteca, vitello tonnato e muitas outras especialidades da tradição toscana.
O detalhe mais curioso é que o próprio cardápio também é apresentado na fala típica florentina.
Um exemplo?
O “Vitello Tonnato” transforma-se em “Vitello Tonnaho”.
Os “Crostini Grigliati” tornam-se “Crostini Grigliahi”.


E é justamente isso que torna tudo especial. Aqui nos sentimos em casa.
Os aromas que chegam da cozinha me levam imediatamente às lembranças da infância, aos meus avós e à Florença de outros tempos.
Vinho e água nunca faltam à mesa. O vinho no almoço faz parte da cultura italiana e florentina e continua sendo consumido durante a pausa do almoço por muitos trabalhadores.
A clientela é composta principalmente por habitués, artesãos, pedreiros, comerciantes e profissionais da região.
Todos acabam chegando aqui.
Sabe por quê?
Porque se come muito bem. As porções são generosas, a qualidade é elevada e os preços continuam surpreendentemente acessíveis.
Comemos aquele que considero um dos melhores rosbifes de Florença. Extremamente macio, praticamente derretia na boca.
E depois vieram as tagliatelle ao molho de Chianina, preparadas pela mãe e pela avó de Lorenzo. Sabores autênticos. Espetaculares, assim como as deliciosas escalopes ao molho de tomate.
Sabores que hoje estão se tornando cada vez mais raros.
Aqui, ao final da refeição, ainda pode acontecer algo que quase desapareceu: deixam uma garrafa de licor sobre a mesa. O cliente é tratado com carinho.
Esta é a verdadeira Itália. Esta é a minha Florença.
A equipe do salão recebe você com um sorriso, conhece seus gostos e muitas vezes já sabe o que você deseja pedir. Existe calor humano, vida e simplicidade.
As mesas ficam próximas umas das outras e é comum terminar conversando com outros clientes, naturalmente em florentino.
E quando o almoço termina, o pensamento já corre para a próxima visita.
Aqui o cliente realmente importa.
As pessoas vêm porque a comida é boa, não porque viram o restaurante viralizar no Instagram.
É um lugar que continua existindo independentemente das modas da internet e dos influenciadores improvisados.
Aqui é Florença.
Aqui, entre as sobremesas, ainda se encontra o Bongo, talvez uma das sobremesas mais tradicionais das antigas trattorias florentinas.
Quando eu era criança, era completamente apaixonado por ele.
Um profiterole coberto com chantilly e chocolate que ainda hoje consegue me transportar imediatamente para o passado.
Quando quiserem saborear, ou melhor, comer de verdade pratos típicos florentinos, genuínos e abundantes, e desejarem respirar a Florença mais autêntica, então vocês devem entrar na Grotta.
La Grotta Parri.
Desde 1948.
E a você, caro Lorenzo, meu companheiro dos tempos de escola, quero dizer uma coisa. Continue assim.
Leve adiante esses valores com o orgulho que sempre caracterizou você e sua família.
Porque lugares como este não são simplesmente restaurantes.
São memória. São identidade. São Florença.

Um forte abraço, do seu amigo Francesco Sibilla.

Informações úteis

Trattoria La Grotta Parri
Endereço: Via Bolognese 14/R, 50139 Florença (FI), Itália
Horário de funcionamento:

  • Segunda-feira: 12h00 às 15h00
  • Terça-feira: 12h00 às 15h00
  • Quarta-feira: 12h00 às 15h00
  • Quinta-feira: 12h00 às 15h00
  • Sexta-feira: 12h00 às 15h00
  • Sábado: 12h00 às 15h00
  • Domingo: Fechado
    Recomenda-se fortemente fazer reserva.
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