Marcello Fois vence o Prêmio Campiello com romance sobre família e memória

A cerimônia aconteceu pela primeira vez na Sala Grande do Palácio do Cinema, no Lido de Veneza. Segundo a Rai News 24, o autor, de 66 anos, agradeceu o reconhecimento e lembrou Murgia como uma mulher resiliente e generosa, cuja presença continua importante em sua vida.
Ambientado entre a Sardenha, terra natal do escritor, e a região da Emília, o romance acompanha Ettore Manfredini, um homem com mais de 90 anos que, após a própria morte, revisita simbolicamente sua trajetória. Entre as lembranças, ele confronta as escolhas que fez, os vínculos que construiu e aquilo que perdeu. A narrativa propõe uma reflexão sobre a vida e sobre a importância de olhar para o próprio passado antes que seja tarde.
A disputa pelo primeiro lugar foi apertada. Pierantozzi conquistou 80 votos com Lo sbilico, livro em que aborda sua experiência com a doença mental, os tratamentos medicamentosos e as alterações na percepção da realidade. O autor explicou que organizar os episódios clínicos em uma narrativa cronológica o ajudou a comunicar sua experiência, embora a escrita também tenha trazido novos desafios.
Na terceira posição ficou Elena Varvello, com La vita sempre, que recebeu 54 votos. O romance retrata uma história de amor e rebeldia durante a guerra e o fascismo, explorando a relação entre passado e presente.
Valeria Parrella terminou em quarto lugar, com 33 votos por La ragazzina, obra que retoma a figura de Joana d’Arc em diálogo com os jovens de hoje. Ermanno Cavazzoni ficou em quinto, com 32 votos por Storia di un’amicizia, dedicado à longa relação de amizade com o escritor Gianni Celati.
Durante a cerimônia, Fois também homenageou Grazia Deledda, escritora nascida em Nuoro, na Sardenha, assim como ele. Deledda recebeu o Nobel de Literatura em 1926 e permanece a única mulher italiana a conquistar o prêmio. O autor destacou a importância de manter viva sua memória e de valorizar sua trajetória também nas escolas.
A edição deste ano reconheceu ainda outros nomes da literatura. Domenico Starnone recebeu o Prêmio Carreira, enquanto Nadeesha Uyangoda conquistou o Campiello Opera Prima com Acqua sporca. Os prêmios Campiello Junior foram concedidos a Rosella Postorino e Daniele Mencarelli, e Matteo Ghisleri venceu o Campiello Giovani com o conto Ricalcolo percorso.
A votação contou com 282 participantes de um júri de 300 leitores anônimos. Mais do que consagrar um único romance, a edição destacou diferentes maneiras de transformar experiências pessoais, relações humanas e memórias históricas em literatura.
