Investidores estrangeiros compram 275 empresas italianas em nove meses

O interesse internacional pelas empresas italianas continua em alta. Nos primeiros nove meses de 2026, 275 companhias do país passaram para o controle de investidores estrangeiros, em operações que movimentaram quase 10 bilhões de euros. A tendência reforça uma dinâmica dos últimos anos: marcas tradicionais e empresas estratégicas do Made in Italy vêm atraindo grupos industriais e fundos de investimento de diferentes partes do mundo.

A aquisição da fabricante de café Segafredo Zanetti é o mais recente capítulo desse movimento. A segunda maior empresa italiana do setor em faturamento, atrás apenas da Lavazza, está na mira de cinco potenciais compradores, entre grupos industriais e fundos financeiros. A operação pode avaliar o negócio em até 1,2 bilhão de euros e envolver a venda de uma participação de controle, com possibilidade de chegar à totalidade da companhia.

Segundo o Corriere della Sera, estão na disputa a tcheca Kofola, conhecida por produzir bebidas e por sua versão local de refrigerante de cola; a americana Westrock Coffee Company, controlada pela família Ford e sediada no Arkansas; e três investidores financeiros: One Rock Capital, Advent e BC Partners. O processo é conduzido pelos assessores Lazard e Intesa Sanpaolo IMI CIB. Até o fim do ano, a expectativa é selecionar dois candidatos para a fase final das negociações.

Fundada em 1973, a Massimo Zanetti Beverage controla a marca Segafredo e tem mais de 2.800 funcionários, 19 unidades de torrefação e presença em 36 países. Em 2025, registrou faturamento de 1,3 bilhão de euros, alta de 27%, com cerca de 90% das receitas geradas fora da Itália.

O desempenho também melhorou em 2026. No primeiro semestre, o grupo alcançou receita de 693 milhões de euros e lucro operacional bruto de 60 milhões, um avanço de 48% na comparação anual. Os resultados chamam a atenção em um mercado pressionado pelo aumento do preço do café, influenciado por fatores climáticos, safras ruins e especulação financeira.

A empresa é controlada em 65% pelo fundo italiano QuattroR e em 35% pelo empresário Massimo Zanetti. O fundo, que entrou para reforçar a estrutura financeira da companhia e apoiar sua recuperação, considera concluída essa etapa e estaria disposto a vender sua participação. A decisão de Zanetti sobre uma eventual venda dependerá do perfil do comprador.

O caso Segafredo faz parte de uma tendência mais ampla. Dados da consultoria KPMG citados pelo Corriere della Sera indicam que aproximadamente 2 mil empresas italianas foram adquiridas por investidores estrangeiros desde 2022, em transações que somam 107 bilhões de euros.

Entre os negócios estão marcas conhecidas, empresas que precisam de capital para se relançar e companhias consideradas estratégicas para a economia italiana. A lista inclui a fabricante de cafeteiras Bialetti, a marca de moda Golden Goose e empresas dos setores de energia, indústria e tecnologia, como IP, Saras e Comau.

Os números mostram que o apelo do Made in Italy vai além do consumo de produtos italianos no exterior. Para os investidores, essas companhias também representam marcas consolidadas, capacidade industrial e acesso a mercados internacionais. A possível mudança de controle da Segafredo é mais um exemplo de como esse patrimônio empresarial desperta o interesse de compradores globais.
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