O governo de Giorgia Meloni acolheu como recomendação uma proposta apresentada pelo deputado Fabio Porta, do Partido Democrático (PD), sobre a valorização do turismo das raízes e dos vínculos entre a Itália e os milhões de descendentes de italianos espalhados pelo mundo. A iniciativa foi apresentada durante a análise de um decreto sobre investimentos em infraestrutura e na execução do Plano Nacional de Recuperação e Resiliência (PNRR). Porta aproveitou a previsão de investimentos para o turismo para incluir também a dimensão cultural e identitária ligada aos chamados oriundi, pessoas de origem italiana e seus descendentes que vivem fora do país.
O parlamentar destacou a dimensão internacional desse patrimônio. “Um reconhecimento significativo para os mais de 80 milhões de descendentes e oriundos de italianos no mundo. Com este ato, quis vincular ao artigo 4º do decreto, que já prevê investimentos em infraestrutura para o turismo, a valorização de um patrimônio identitário que ainda é amplamente inexplorado”. A proposta parte de uma ideia simples: para muitos descendentes de italianos, viajar à Itália não significa apenas conhecer cidades famosas ou passar férias. Pode significar também procurar a cidade onde nasceram os avós, visitar uma antiga casa de família, consultar documentos e reconstruir uma história que começou gerações atrás.
Nesse contexto, Porta chamou atenção para o trabalho da Associação Italiana de Municípios do Turismo das Raízes (Aicotur), formada por cidades interessadas em desenvolver iniciativas voltadas aos descendentes de italianos. Entre as ações citadas estão a digitalização de arquivos históricos e a formação de profissionais capazes de auxiliar visitantes em pesquisas genealógicas. Para pequenos municípios italianos, especialmente aqueles que perderam população ao longo das décadas, esse tipo de turismo pode representar uma oportunidade de recuperar vínculos e movimentar a economia local.
A proposta também retoma uma recomendação do Comitê Europeu das Regiões, aprovada em outubro de 2024, que defende o uso de ferramentas digitais para facilitar o contato entre descendentes de europeus e os territórios de origem de suas famílias. Um dos pontos mais importantes da recomendação é justamente a possibilidade de criar uma plataforma digital nacional dedicada ao turismo das raízes. A ideia seria reunir informações e recursos que ajudem os descendentes a localizar suas origens e planejar uma viagem baseada na própria história familiar.
Porta também cita experiências anteriores de associações de comunidades italianas no exterior, como a Associação Bellunesi nel Mondo e os Fogolârs Furlan, que há décadas trabalham para manter os vínculos entre emigrantes, descendentes e seus territórios de origem. Ao comentar o acolhimento da proposta pelo governo, o deputado destacou que o texto poderá abrir espaço para novos investimentos nos municípios envolvidos. “O acolhimento como recomendação compromete o governo a avaliar recursos para os municípios da Aicotur, seguindo o modelo já adotado para Tropea no mesmo projeto, e a promover uma plataforma digital nacional dedicada ao turismo das raízes. É um sinal que vai na direção certa”.
Para a Itália, o tema tem uma dimensão que vai além do turismo tradicional. O país possui uma das maiores comunidades de descendentes de emigrantes no mundo, e transformar genealogia, memória familiar e patrimônio local em experiências turísticas pode aproximar essas pessoas de cidades e regiões que, muitas vezes, seus antepassados deixaram há mais de um século. No caso brasileiro, a questão ganha especial relevância. O Brasil está entre os países com uma das maiores comunidades de descendentes de italianos, o que torna o turismo das raízes um possível ponto de conexão entre famílias brasileiras e os pequenos municípios italianos de onde partiram seus antepassados.
Governo italiano acolhe proposta do deputato Fabio Porta sobre turismo das raízes

