Fabriano transforma sua Pinacoteca com realidade virtual e experiências imersivas

A arte de Allegretto Nuzi poderá ser conhecida de uma maneira diferente em Fabriano, na região italiana das Marcas. A partir de 11 de setembro, a Pinacoteca “Bruno Malajoli” da cidade terá uma nova sala multimídia que usa tecnologias digitais para aproximar o público de obras e espaços que continuam fechados após os danos provocados pelo terremoto de 2016.

A iniciativa nasceu de um projeto apresentado pela Prefeitura de Fabriano ao programa Piccoli Musei, do Ministério da Cultura da Itália. Entre cerca de 600 propostas, o projeto ficou em 14º lugar e recebeu o maior valor de financiamento entre os vencedores. A nova sala foi desenvolvida em parceria com o Departamento de Arquitetura da Universidade de Florença, com foco na utilização de recursos digitais para a valorização do patrimônio histórico e artístico.

Na prática, o visitante poderá explorar virtualmente obras e ambientes que atualmente não podem ser visitados. O projeto inclui a reconstrução digital de peças presentes na Igreja de San Domenico e no complexo de Sant’Agostino, que inclui o Oratório dos Beati Becchetti. É uma solução particularmente interessante para uma cidade cujo patrimônio ainda carrega as consequências do terremoto. Em vez de esperar pela reabertura física dos espaços, a tecnologia permite criar uma nova forma de acesso enquanto as intervenções necessárias continuam.

A experiência também foi pensada para ampliar a acessibilidade. Modelos tridimensionais e materiais táteis deverão permitir que pessoas com deficiência visual parcial ou outras necessidades específicas tenham contato com as obras por meio de diferentes sentidos. A ideia, portanto, não é simplesmente colocar telas dentro de um museu. A tecnologia passa a funcionar como uma ponte entre o visitante e um patrimônio que, por enquanto, permanece atrás de portas fechadas. 


A nova sala da pinacoteca Malajoli será inaugurada em 11 de setembro, durante o evento Fabriano, Carta è Cultura, dedicado à relação histórica da cidade com a produção de papel e à sua vida cultural. A novidade mostra também uma tendência que vem ganhando espaço nos museus italianos: usar realidade virtual, reconstruções digitais e recursos imersivos não para substituir as obras originais, mas para permitir que o público conheça aquilo que, por razões de conservação, restauração ou segurança, ainda não pode ser visto diretamente.

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *