Na Itália, o fim das férias de agosto não significa apenas praias cheias e estradas congestionadas no retorno para as grandes cidades. Nos últimos anos, uma parte importante dos italianos passou a procurar outro tipo de experiência: alguns dias em meio a vinhedos, oliveiras, montanhas e pequenas propriedades rurais, muitas vezes com a comida produzida no próprio local.

Esse movimento ajudou os agriturismi, as tradicionais hospedagens rurais italianas, a registrar um agosto de 2026 particularmente forte. Segundo levantamento da Coldiretti e da Campagna Amica Terranostra, divulgado no balanço do fim das férias, cerca de 1,85 milhão de pessoas passaram por agriturismos italianos durante o mês, gerando 6,5 milhões de pernoites. A permanência média ficou em aproximadamente três noites e meia.

No total, as mais de 26 mil propriedades do setor registraram crescimento de 4,5% nas presenças em relação a agosto de 2025. O agriturismo, que durante muito tempo esteve associado principalmente a uma alternativa tranquila de hospedagem no campo, tornou-se uma parte cada vez mais relevante da oferta turística italiana.

A diferença está no tipo de experiência procurada pelos visitantes. Em vez de apenas reservar um quarto, muitos turistas querem conhecer a produção local, provar vinhos e azeites, visitar adegas, aprender receitas tradicionais ou participar de atividades ligadas à agricultura. A própria Coldiretti estima que 25 milhões de italianos tenham participado durante o verão de alguma experiência ligada ao turismo gastronômico, incluindo degustações, visitas a produtores, cursos de cozinha e atividades relacionadas a vinho, azeite, cerveja e queijos.

É uma característica que combina especialmente bem com o modelo dos agriturismos. Uma propriedade pode funcionar simultaneamente como hospedagem, restaurante, pequena vinícola, fazenda e espaço para atividades ao ar livre. A Toscana é um dos melhores exemplos dessa tendência. Em agosto, a região concentrou cerca de 600 mil chegadas e 2,3 milhões de pernoites em seus aproximadamente 6 mil agriturismos, segundo dados da Terranostra Toscana.

O desempenho dos agriturismos acontece em um cenário de férias ainda bastante concentradas na Itália. Segundo o levantamento Coldiretti/Ixè, 19 milhões de italianos escolheram agosto para viajar e gastaram, em média, 834 euros por pessoa. A duração média das férias foi de dez dias. Mas os números também mostram diferenças importantes no orçamento. Cerca de um terço gastou menos de 500 euros, enquanto 38% ficaram entre 500 e 1.000 euros. Apenas 5% ultrapassaram os 2.000 euros por pessoa.

Nesse contexto, o agriturismo oferece uma combinação que parece cada vez mais procurada: hospedagem, gastronomia e contato com o território no mesmo lugar. E talvez seja justamente essa a força do modelo italiano: em vez de simplesmente visitar uma região, o turista pode passar alguns dias vivendo um pouco da paisagem, da comida e da produção que fazem parte dela.
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