O mundo conhece a Coca-Cola e a Pepsi como as rainhas indiscutíveis do universo das bebidas gaseificadas. Mas antes da chegada e da difusão dessas bebidas na Itália, existiam e, ainda hoje, continuam existindo bebidas gaseificadas aromáticas 100% italianas. Muitas lembranças me ligam a esse universo. Vou contar uma pequena história. Com meus companheiros e amigos de uma vida inteira, Milo e Lapo, entramos no Rivoire, café histórico da minha cidade, com vista para o Palazzo Vecchio, no esplêndido cenário de Florença. Vamos até o balcão e pedimos três cedrate, ou melhor, “tre cedrahee”, em puro dialeto florentino. Sabem o que o barman nos respondeu? “Rapazes, fazia anos que não entravam clientes aqui pedindo uma cedrata.”
Mas afinal, o que é a cedrata?
É uma das rainhas dos soft drinks, das bebidas gaseificadas italianas. Seu nome vem dos cítricos que lhe dão o sabor característico: os cedros. Pensem que, já no século XVIII, na botica da família Bondoni, em Salò, eram preparadas bebidas desse tipo. A água de cedro era considerada um remédio natural. Mas a verdadeira mudança aconteceu com aquele que tornou essa bebida famosa em toda a Itália. Estamos falando de Nicola Tassoni. Era 1868, e a Itália havia sido unificada havia pouco tempo.
Ele comprou a farmácia Bondoni, dando origem à marca Cedral. Em 1921 nasceu a Cedrata Tassoni, inicialmente um xarope de cedro que deveria ser misturado com água. Nos anos 1950 foi criada a icônica garrafinha de vidro, com seu design característico e o vidro áspero ao toque, pensado para lembrar a casca dos cedros. Existem várias marcas, mas a Tassoni é, sem dúvida, a mais icônica. Meu avô, que nasceu em 1919, é também o motivo pelo qual essa bebida está tão ligada às minhas lembranças. Quando eu era criança, em cada visita, ele me dava uma bela Tassoni bem gelada. Era, de certa forma, a “Coca-Cola” dos tempos da guerra, a bebida gaseificada por excelência.
Chinotto
Outra bebida italianíssima e muito famosa. De cor escura, quase como a cola, gaseificada e com seu característico sabor levemente amargo, equilibrado por suaves notas doces. A própria San Pellegrino, famosa em todo o mundo por suas águas, criou sua própria fórmula, hoje disponível em diferentes versões. Um clássico na Toscana? Um sanduíche de porchetta e um belo chinotto bem gelado.
Gassosa
A cedrata era a bebida do meu avô materno, enquanto a gassosa era a do meu avô paterno. Uma bebida nascida no mundo rural, a partir da fermentação da água com xarope açucarado, limão ou outros cítricos. Com o passar do tempo, graças ao seu grande sucesso popular, essa bebida começou a ser produzida também em escala industrial. Os arquivos apontam 1883 como o ano do início da produção em larga escala. Eu e meu irmão, na casa dos nossos avós, bebíamos litros e litros, sempre acompanhados das tradicionais broncas e advertências dos avós, porque beber demais significava ficar com uma quantidade enorme de gases no estômago. Nos primeiros anos, ela era considerada uma espécie de “champanhe dos pobres”. Pensem que existia também uma variante em homenagem ao Brasil: a Brasilena, com aroma de café.
Spuma bionda
A minha preferida, bebida e repetida várias vezes durante minha última viagem à Itália, há poucos meses. A spuma nasceu como uma alternativa à gassosa, a partir da visão do marchigiano Enrico Paoletti. Estamos no início do século XX. Paoletti criou um pequeno laboratório na osteria da família de seu pai e, em 1925, conquistou o prêmio de melhor gazzosa na Exposição Universal de Bruxelas. Sua composição nasce de uma mistura de diversas ervas, uma espécie de segredo de produção. Pensem que, além da spuma bionda, também foi criada a spuma bruna, de cor escura tendendo ao marrom, em 1938. Convido vocês a experimentá-la durante suas viagens à Itália, talvez acompanhada de um belo cornetto com creme ou de alguma opção salgada: um verdadeiro must 100% italiano.
Ginger
Bebida gaseificada à base de gengibre, criada a partir de uma mistura de xaropes e água gaseificada. O famoso Ginger Ale. Uma bebida que se tornou símbolo dos míticos anos 1950. Foram muitas as campanhas publicitárias dedicadas a essa bebida, algumas delas tornadas famosas pela participação de atores e artistas muito conhecidos. Esses são apenas alguns dos soft drinks italianos mais famosos, mas que nem todos conhecem. Todos têm uma característica em comum: são bebidas não alcoólicas. Essas bebidas são especiais porque não querem e não precisam agradar a todos. Elas não buscam consenso. Não prometem leveza, não são light e todas têm como base xaropes e açúcares. Quem decide bebê-las faz, de certa forma, uma escolha de fidelidade cultural e social.
Essas bebidas são conhecidas principalmente por quem nasceu na Itália, por quem viajou muito pelo país ou por quem descende de italianos. São bebidas profundamente italianas. Continuam resistindo e atravessando o tempo. Certamente sofreram com a concorrência das grandes marcas americanas, mas o sentido da tradição e da cultura faz com que os consumidores continuem a procurá-las e a amar seus sabores e a forma como são produzidas. Festas populares, bairros, celebrações para crianças e adultos: elas estão sempre presentes, sempre sendo oferecidas. Bebidas e tradições. Juntas nas mudanças, unidas pela tradição.

