Existe uma igreja na Itália que chama atenção antes mesmo de o visitante entrar: suas paredes não têm os tradicionais ângulos retos. A construção é marcada por curvas, formas arredondadas e uma aparência quase futurista. Ela fica em Mormanno, na Calábria, uma pequena cidade nas montanhas do Parque Nacional do Pollino. É a Igreja de Santa Maria Goretti, projetada pelo arquiteto italiano Mario Cucinella e concluída em 2021. O edifício tem cerca de 950 metros quadrados e 16 metros de altura e foi pensado para unir arquitetura contemporânea e tradição religiosa.

O branco domina o interior, onde a luz natural tem papel central. No espaço principal, tecidos translúcidos descem do teto e criam um efeito leve, enquanto elementos em pedra, bronze, madeira e aço completam a decoração. À noite, a igreja ganha outra aparência. A iluminação destaca a grande cruz presente na fachada, fazendo com que o edifício possa ser percebido como um ponto luminoso na paisagem montanhosa.

Mas existe um detalhe ainda mais curioso. Todos os anos, em 6 de julho, um raio de sol atravessa uma abertura especialmente projetada e ilumina diretamente o crucifixo no interior da igreja. É um efeito planejado pelo projeto arquitetônico, que utiliza a posição da luz natural como parte da própria experiência do espaço.

A igreja é dedicada a Maria Goretti, jovem italiana nascida em 1890 e morta em 1902, aos 11 anos, depois de ser atacada por um vizinho. Canonizada em 1950, tornou-se uma das santas mais conhecidas da Itália, principalmente pela tradição católica associada à sua história de perdão. Seu agressor, Alessandro Serenelli, passou anos na prisão e posteriormente se aproximou da religião.

Para quem visita a Itália, Mormanno está bem distante dos grandes circuitos turísticos de Roma, Florença ou Veneza. E justamente por isso a igreja pode ser uma descoberta interessante: em um país conhecido por suas catedrais medievais e igrejas barrocas, existe também um templo do século XXI que aposta em curvas, luz e minimalismo. A proposta é simples: mostrar que uma igreja contemporânea também pode criar um espaço de silêncio e contemplação, sem precisar repetir as formas do passado.

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