Acaba de estrear no mundo automotivo a Ferrari Luce, a primeira Ferrari 100% elétrica, e ela já dividiu a Itália e o mundo inteiro entre os apaixonados por carros.
Dados técnicos: 5 lugares, 4 motores elétricos que desenvolvem 1.050 cavalos, velocidade máxima de 310 km/h, aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 2,5 segundos e autonomia de 530 km. O preço? 550 mil euros.
São quatro motores elétricos, um para cada roda, gerenciados de forma independente. É a Ferrari mais pesada já construída: mais de 2.300 kg, com chassi em alumínio reciclado.
O pacote de baterias é composto por 210 células em série e alcança uma energia de 122 kWh a 800 V. É possível recarregar 70 kWh em 20 minutos utilizando uma estação de carregamento rápido de 350 kW. A autonomia declarada pela fabricante é de 530 km, mas, se for dirigida como uma verdadeira Ferrari, é provável que caia consideravelmente.
Para o presidente da Ferrari, John Elkann, inaugura-se um capítulo que transforma uma visão em realidade, reforçando a tradição da Ferrari de antecipar e moldar o futuro.
O mais inovador é a transformação total do design interno. Os interiores foram desenhados por Jony Ive, exatamente ele: o ex-chefe de design da Apple, responsável pela criação do Mac, Apple Watch, iPhone e outros produtos que mudaram o mundo da tecnologia.
Para muitos fãs do Cavallino Rampante, o carro parece mais um smartphone do que um automóvel.
A decisão de confiar o design à LoveFrom, de Ive e Newson, com sede na Califórnia, nasceu da ideia de criar algo diferente, disruptivo.
Em uma nota oficial divulgada pela Ferrari, afirma-se: “A Luce assumiu uma identidade tão específica justamente porque os designers tiveram liberdade para conceber uma forma disruptiva e coerente”.
O objetivo da Ferrari é conquistar novos mercados e novos clientes. Aproximar pessoas que jamais pensariam em comprar uma Ferrari. Na minha opinião, um objetivo extremamente difícil, considerando o preço de 550 mil euros para um carro elétrico com autonomia limitada. Quem compra uma Ferrari ama velocidade, mas também o ronco do motor, a emoção mecânica e o fascínio do motor a combustão.
E nos mercados financeiros, como foi para a Ferrari?
Queda na bolsa. As ações caíram mais de 6%. O motivo? Mais uma vez, o preço.
O preço inicial foi fixado em 550 mil euros, muito acima do modelo mais caro atualmente presente na linha Ferrari, a Testarossa de 460 mil euros, e significativamente superior ao preço médio de venda da Ferrari no primeiro trimestre de 2026, de 453 mil euros. “Prevemos que a Luce permanecerá uma oferta de nicho dentro da linha, representando cerca de 1% dos volumes totais”, afirmam os analistas da Mediobanca.
A análise
A Luce parece “uma mistura entre Honda Accord EV e Tesla Model 3”, declarou à Bloomberg Pierre-Olivier Essig, chefe de pesquisa da Air Capital. “Estamos perdidos na tradução da nova estratégia da Ferrari, que tenta emular o design da Apple”, afirmou Essig, acrescentando que prefere “carros chineses ou japoneses com o mesmo visual e o mesmo tipo de performance por uma fração do preço”.
Além da questão do preço e do posicionamento de nicho, alguns analistas também destacam a questão do design, que se distancia dos padrões tradicionais do Cavallino Rampante.
E vocês do Jornal Italia, o que acham?
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