
Mais do que uma homenagem histórica, o encontro criou uma ponte entre a tradição musical italiana e a produção cultural que vem crescendo em Maringá. Rebelatto, que estudou no Conservatório de Adria, na Itália, participou do concerto a convite da Filarmônica, levando ao palco a experiência da música lírica italiana em diálogo com músicos da cidade.
A apresentação também fez parte de um projeto de circulação da OFACC pelo Paraná. Antes de chegar a Maringá, a orquestra passou por Cascavel e Francisco Beltrão, levando apresentações a diferentes públicos. Em Maringá, a escolha pelo Teatro Calil Haddad reforçou a proposta de transformar a música clássica em uma experiência acessível, com entrada gratuita.
A iniciativa ganha um significado particular em uma cidade como Maringá, onde diferentes histórias de imigração ajudaram a formar a identidade cultural do Paraná. Desta vez, essa memória foi evocada não apenas por documentos ou celebrações, mas por uma linguagem capaz de atravessar fronteiras e gerações: a música.
Para o maestro Pedro Leal, a participação no concerto também representou a oportunidade de aproximar o público da produção cultural local e, ao mesmo tempo, dividir o palco com um cantor de formação internacional. A democratização do acesso à cultura está entre os objetivos centrais da Filarmônica.
Criada em maio de 2026, a Orquestra Filarmônica Aruna Cidade Canção ainda é um projeto jovem, mas já busca construir uma presença permanente na cena cultural de Maringá e de outras cidades paranaenses. Com entre 30 e 40 músicos, reúne instrumentos de cordas, madeiras, metais e percussão, sob regência de Pedro Leal.
Os ensaios acontecem no Centro de Ação Cultural (CAC), e o repertório procura ir além do universo tradicional da música de concerto, passando por clássicos, trilhas de cinema e música popular brasileira.
Assim, o concerto dedicado à imigração italiana acabou contando duas histórias ao mesmo tempo: a de uma comunidade que atravessou o Atlântico há mais de um século e meio e a de uma nova geração de músicos que tenta construir, no Paraná, seus próprios caminhos através da música.
