A pouco mais de meia hora de Bolonha, seguindo pela Estrada Estadual 9, chega-se a Dozza, uma das localidades mais características da Emilia-Romagna. Outra opção é chegar pela rodovia A14, saindo em Castel San Pietro Terme ou em Imola. Em poucos minutos, é possível deixar para trás o ritmo da cidade e entrar em uma pequena vila de história milenar, onde arte, história, vinho e gastronomia se encontram em um cenário particularmente sugestivo.
Dozza conserva até hoje seu traçado urbano medieval. As ruas estreitas sobem lentamente e parecem convergir todas para a Rocca, que domina a vila do alto e representa um de seus símbolos mais reconhecidos. Ao longo dos séculos, o núcleo urbano cresceu e desenvolveu uma área residencial mais moderna, mas sem perder as características do antigo centro histórico. É justamente esse equilíbrio entre passado e presente que torna Dozza tão especial: uma pequena localidade nas colinas onde a estrutura medieval continua perfeitamente visível.
Mas Dozza possui algo que a diferencia ainda mais. Aqui, a arte não está confinada apenas aos museus ou às salas de um palácio. Ela sai para as ruas e toma conta das fachadas das casas, das vielas e dos cantos do centro histórico. Mais de duzentos murais, realizados ao longo das diferentes edições da Bienal do Muro Pintado, transformaram a vila em uma verdadeira galeria de arte contemporânea a céu aberto. Caminhando sem pressa, o visitante encontra cores, figuras, personagens e formas que surgem inesperadamente nas paredes, fazendo com que cada esquina seja diferente da outra.
A Rocca Sforzesca, por sua vez, domina a vila do alto e conta uma história ainda mais antiga. Sua construção remonta ao século XIII e, ao longo do tempo, o edifício foi ampliado, modificado e transformado diversas vezes, acompanhando as necessidades de seus diferentes proprietários. A Rocca foi habitada até 1960, quando foi cedida ao Município de Dozza e transformada em casa-museu, hoje administrada pela Fondazione Dozza Città d’Arte.
A Rocca e a história de Dozza
A história da Rocca começa por volta da metade do século XIII, quando o Município de Bolonha decidiu construir uma fortificação em uma posição estratégica, justamente naquela faixa delicada de território que separava Bolonha da Romagna.
A localização fez de Dozza um lugar disputado durante séculos. O castelo esteve envolvido nas rivalidades entre Bolonha e Imola, entre guelfos e gibelinos, entre as senhorias da Romagna e o Estado da Igreja. Guerras e mudanças políticas provocaram constantes intervenções na estrutura, que foi modificada, ampliada, danificada e reconstruída várias vezes.
No final do século XV chegou o período dos Riario-Sforza. Foram eles que deram à Rocca parte importante do aspecto que ainda podemos admirar hoje. Foram construídas grandes torres arredondadas, um fosso profundo e uma entrada lateral protegida por uma ponte levadiça. A fortificação assumiu assim o aspecto de uma verdadeira estrutura militar, pensada para resistir aos ataques e controlar o território ao redor.
Com o início do século XVI, Dozza voltou ao controle direto da Santa Sé. Entraram então na história da vila duas importantes famílias senatoriais de Bolonha, os Campeggi e, posteriormente, os Malvezzi-Campeggi, que permaneceram ligados à Rocca por mais de quatro séculos.
Se o exterior ainda conserva o caráter austero da fortificação medieval, os ambientes internos contam uma história diferente. Pátios, átrio, escadarias, salas e o andar nobre revelam as importantes transformações realizadas durante o Renascimento.
Na primeira metade do século XVI, o cardeal Lorenzo Campeggi, importante diplomata a serviço dos papas Júlio II, Leão X e Clemente VII, obteve o feudo de Dozza em 1529. Entre 1556 e 1594, os condes Vincenzo, Annibale e Baldassarre Campeggi promoveram importantes obras de reforma, transformando definitivamente a Rocca de uma fortaleza militar em uma elegante residência nobre e sede de representação.
Os inventários do século XVIII já descrevem um palácio rico em móveis, obras de arte e coleções de grande valor. Em 1728, com a morte de Lorenzo Campeggi, último representante masculino da família, o feudo passou por herança para sua irmã Francesca Maria, esposa de Matteo Malvezzi. Dessa sucessão nasceu o nome Malvezzi-Campeggi, ligado à família que viveu na Rocca até 1960.
O centro histórico e seus cantos para descobrir
A Rocca, porém, não é a única atração de Dozza. O centro histórico deve ser descoberto sem pressa, deixando-se conduzir pelos murais, pelas pequenas ruas e pela atmosfera particular que se respira entre as antigas casas.
Entre os edifícios que merecem uma visita está a Igreja prepositural de Santa Maria Assunta in Piscina, construída no século XII sobre os restos de uma igreja românica anterior. Em seu interior também conserva uma pintura de Marco Palmezzano, datada de 1492.
Também merecem atenção o Rivellino, onde está localizada a porta do século XVIII que conduz à vila, e a Rocchetta, uma estrutura de origem medieval que completa o antigo sistema defensivo do povoado.
O vinho e a Enoteca Regional da Emilia-Romagna
Em Dozza, história e vinho caminham inevitavelmente juntos. Nos sugestivos subterrâneos da Rocca Sforzesca encontra-se a Enoteca Regional da Emilia-Romagna, um dos lugares mais interessantes para conhecer a tradição vinícola da região.
Criada em 1970 com o objetivo de promover e valorizar o patrimônio vitivinícola regional, a Enoteca tornou-se ao longo do tempo uma importante referência para conhecer os vinhos da Emilia-Romagna. Atualmente reúne produtores, consórcios, entidades e associações do setor e mantém uma exposição permanente com mais de mil rótulos selecionados.
O percurso permite descobrir a grande variedade dos vinhos regionais e sua relação com a gastronomia do território. Nos subterrâneos da Rocca também é possível participar de degustações guiadas e conhecer mais de perto as diferentes denominações e produções da Emilia-Romagna.
De Dozza também parte o Sentiero del Vino, um percurso de aproximadamente seis quilômetros que atravessa as colinas e conecta vinhedos, vinícolas, natureza e paisagem. É uma maneira diferente de conhecer o território, seguindo o fio que une o vinho à história e à cultura local.
Dozza e o mundo fantástico de Tolkien
Entre as vielas da vila existe ainda uma realidade que pode surpreender quem chega a Dozza pela primeira vez. Ao lado da história medieval e da arte contemporânea, existe também um espaço dedicado ao universo da literatura fantástica.
É La Tana del Drago, centro de estudos dedicado a J.R.R. Tolkien e ao universo da literatura fantástica. Criado a partir da colaboração entre o Município de Dozza e a Associazione Italiana Studi Tolkieniani, o centro reúne livros, coleções, exposições, encontros, conferências e atividades dedicadas ao autor de O Hobbit e O Senhor dos Anéis.
A estrutura tornou-se um ponto de referência para estudiosos e admiradores, mas também um espaço cultural aberto a quem deseja conhecer melhor o universo fantástico. O objetivo é reunir e valorizar materiais relacionados aos estudos tolkienianos, criando oportunidades de encontro por meio de exposições, workshops, conferências e atividades lúdicas.
E, de certa forma, Dozza parece ser o lugar perfeito para receber esse universo. As muralhas medievais, as colinas, as ruas estreitas e a atmosfera da vila parecem criar uma ponte natural para o imaginário da Terra-média.
Não é por acaso que justamente aqui acontece a FantastikA, a bienal dedicada à arte, à ilustração e à literatura fantástica. Em 2026, o evento está marcado para os dias 19 e 20 de setembro, com exposições, encontros, espetáculos, workshops e atividades dedicadas ao universo fantástico e tolkieniano.
O que comer em Dozza
Depois de caminhar entre murais, antigas muralhas e adegas, chega naturalmente a hora de sentar à mesa. E também na gastronomia Dozza preserva toda a sua identidade da Emilia-Romagna.
A massa fresca é uma das grandes protagonistas. Tagliatelle, garganelli e tortelli de ricota com sálvia revelam uma cozinha profundamente ligada à tradição das sfogline e das arzdore, mulheres que durante gerações prepararam e abriram a massa artesanalmente.
Entre os pratos principais aparecem as carnes grelhadas, enquanto a piadina continua sendo uma presença indispensável, especialmente quando acompanhada de embutidos e queijos macios, como o squacquerone.
O vinho também ocupa naturalmente um lugar importante. Entre os tintos destaca-se o Sangiovese DOC, enquanto entre os brancos o Albana DOCG representa uma das expressões mais características da Romagna. Dozza também está localizada ao longo da Strada dei Vini e Sapori Colli d’Imola, em um território onde gastronomia, vinícolas e paisagem formam uma única história. Entre os endereços indicados para comer na vila estão o restaurante La Scuderia, a Osteria di Dozza e o restaurante-bar Via Vai.
Onde dormir em Dozza
Para quem decide passar uma noite, Dozza oferece diferentes possibilidades para viver a vila também depois do pôr do sol, quando as ruas ficam mais tranquilas e a atmosfera muda completamente.
Entre as opções indicadas estão o Hotel Dozza, com bar, estacionamento privativo, área de lounge e jardim, e o B&B Magic, localizado a aproximadamente três quilômetros do centro, com quartos climatizados, Wi-Fi e estacionamento.
Os arredores de Dozza
Dozza também pode ser um excelente ponto de partida para conhecer outras localidades da região. A poucos quilômetros está Imola, cidade conhecida mundialmente por sua história ligada ao automobilismo e pelo Autódromo Internacional Enzo e Dino Ferrari. Além do circuito, também merecem uma visita a Rocca Sforzesca e o Palazzo Tozzoni.
Outro destino próximo é Castel San Pietro Terme, conhecida principalmente por sua tradição termal e pela paisagem de colinas que a cerca.
Seguindo pelo Vale do Santerno, chega-se a Castel del Rio, onde está o Palazzo Alidosi, um imponente edifício fortificado do século XVI. Em seu interior encontra-se o sugestivo pequeno pátio renascentista das Três Fontes.
Dozza, no fim das contas, é justamente isso: uma pequena vila onde é difícil separar história de arte, arte de paisagem e paisagem da mesa. Chega-se para ver os murais e a Rocca, mas é possível ficar pelo vinho, pela gastronomia, pelas colinas ou simplesmente para caminhar sem pressa pelas ruas de uma localidade que transformou suas paredes em uma galeria de arte e sua própria história em uma experiência para ser vivida.

